Archive for the ‘Eleições francesas’ Category

Politicagem sem fim

Thursday, August 9th, 2007

Não foi só a internet, com milhares de sites e blogs políticos, que teve uma expansão inacreditável nessas eleições francesas. Agora que a poeira das eleições presidencial e legislativa baixou, as editoras começam a fazer o balanço da venda de livros sobre política.

De 2006 para 2007, a venda de livros do gênero quase triplicou. Foram 60 lançamentos no ano passado contra 150 neste ano. Em 2006 foram vendidos, ao total, 1,3 milhões de livros sobre política. De janeiro a julho deste ano as vendas ultrapassam os 1,6 milhões de exemplares.

As opções são de deixar qualquer um perdido e vão da análise das personalidades dos principais candidatos, passando pelos bastidores da campanha, até o clássico desenho em quadrinhos tocando o horror no Sarkozy.

Os mais vendidos:

1) La Tragédie du président, de Franz-Olivier Giesbert (Flammarion) – 317 mil exemplares vendidos. O Franz-Olivier Giesbert é um jornalista genial que acompanhou de perto a vida dos presidentes François Mitterrand e Jacque Chirac, sobre o qual é este último livro, no topo da lista dos mais vendidos. Comprei ainda no Brasil, antes de vir pra cá. Difícil surgir alguma outra biografia política sobre Chirac com a mesma qualidade e que toque tanto o horror no velho.

2) Témoignage, de Nicolas Sarkozy (Editions XO) – 310 mil exemplares vendidos. Comprei e li logo que cheguei aqui, para tentar entender um pouco mais sobre essa figura única que é o Pequeno Nicolas. Jamais vi tanto voluntarismo e auto-elogio concentrados num lugar só. O livro do Príncipe, como qual me diverti absurdamente lendo antes de vir pra cá, não chega nem perto. A diferença é que Sarkoz escreveu o livro para lançar sua candidatura e que – coisa estranha do Brasil -, até agora tem cumprido praticamente à risca tudo que prometeu na campanha.

3) La Femme fatale, de Raphaëlle Bacqué e Ariane Chemin (Albin Michel) – 219 mil exemplares. Esse estava na fila para ser comprado, mas resolvi ler o Ségolène Royal : Les coulisses d’une défaite (Archipel) de Christine Courcol e Thierry Masure, no qual a Ségo anunciou que iria finalmente acabar com o casamento de fachada com o bobalhão e presidente do Partido Socialista, François Holande. Como foi lançado há pouco tempo, ainda não consta no topo das vendas.

4) La Face Karchée de Sarkozy, de Richard Malka, Riss, Philippe Cohen e Isabelle Lebeau (Fayard-Vents d’Ouest). Esse é o tal do desenho em quadrinhos com o Pequeno Nicolas Napoleão. Não comprarei, mas já li praticamente inteiro de tanto folheá-lo toda vez que entro em livrarias.

5) Sexus Politicus, de Christophe Deloire e Christophe Dubois (Albin Michel) – Livro definitivo para entender absolutamente tudo sobre a sociedade francesa. Comprei e li em menos de 1 semana. O livro relata praticamente TODOS os escândalos sexuais envolvendo políticos na França, não se restringindo somente à época atual.

6) Pour un pacte écologique, de Nicolas Hulot (Calmann-Lévy) – Nicolas Hulot é o Al Gore francês. Ameaçou sair candidato à presidência, acabou desistindo, mas conseguiu fazer praticamente todos os grandes candidatos – de esquerda e de direita – assinarem seu “pacto ecológico”. Obviamente não deu em nada. Não lerei.

Por fim, os dois últimos da lista divulgada pelo Le Monde:

7) Un pouvoir nommé désir, la biographie de Nicolas Sarkozy, de Catherine Nay (Grasset).

8) Qui connaît Madame Royal ?, de Eric Besson (Grasset).

Abra$$o, François

Sunday, June 17th, 2007

Já era tempo. Ségolène Royal, candidata socialista derrotada nas presidenciais francesas, finalmente anunciou o fim da farsa marital com o atual presidente do Partido Socialista, François Hollande, seu “companheiro” – como gosta de chamar a impresa francesa, já que os dois não são casados no papel. O casal se conheceu em 1978 quando ambos cursavam a ENA (Escola Nacional de Administração) e têm 4 filhos.

Para não fugir da tradição fracesa, o anuncio será publicado no livro Les Coulisses d’une défaite (Os bastidores de uma derrota) (comprarei certamente), escrito pelos jornalistas Christine Courcol e Thierry Masure, da AFP. O lançamento está previsto para a próxima quarta-feira, 20 de junho.

A relação entre o casal comuna estava visivelmente deteriorada há alguns anos. Mas a situação piorou durante as prévias do PS. Tudo foi por água abaixo durante a campanha absolutamente fracassada de Ségo, que não teve apoio dos grandes nomes dentro do partido. O desacordo com Hollande sobre questões fiscais e a tentativa de aproximação da socialista com o “centrista” François Bayrou no segundo turno contribuiram para aniqular a relação.

Ségo já mandou avisar que vai se candidatar para assumir a presidencia do PS.

A noticia acabou, portanto, sendo mais interessante do que o modorrento resultado do segundo turno das eleições legislativas, realizada hoje. A abstenção foi a mesma do primeiro turno, realizado no domingo passado – cerca de 40% – e o governo conseguiu a maioria. Mas os direitistas estavam confiantes de que conseguiriam também a maioria de dois terços, mas não foi desta vez. A projeção até agora para as 577 vagas é a seguinte:

UMP (partido de Sarkozy) – 311 a 320
Novo Centro (aliado da UMP) – 20 a 22
MPF (extrema direita lunática) – 2 a 6
MoDem (de François Bayrou) – 4
Verdes – 4
Partido Socialista – 210 a 212
Partido Comunista – 17 a 18

Algumas outras observações interessantes:

1) A ausência do Front Nacional de Jean-Marie Le Pen na Assembléia. Sua filha, Marine Le Pen, única do partido a chegar no segundo turno, foi derrotada.

2) Alain Juppé, Ministro da ecologia e do desenvolvimento sustentável, segundo na hierarquia governamental, se candidatou e foi derrotado pela socialista Michèle Delaunay. Como prometido, os membros do governo que não conseguissem “legitimação nas urnas” teriam que renunciar. O único foi Juppé, que amanhã vai para o abra$$o.

Se taper le cul parterre

Thursday, June 7th, 2007

No próximo domingo ocorrem as eleições legislativas aqui no Baguette. O clima geral é o oposto da véspera das eleições presidenciais. A quatro dias da votação, o desinteresse é total. Os motivos são vários e têm relação com o bastante criticado sistema eleitoral francês, que prevê as eleições legislativas menos de dois meses depois das presidenciais. Ainda vou ter que escrever um post explicando a demência toda…

Mas a conjuntura política, desta vez, é o que mais pesa. Segundo uma pesquisa TNS/Sofres/Unilog publicada no Le Figaro do dia 21 de maio, o Partido Socialista vai se afundar ainda mais. A pesquisa mostra o partido de Sarkozy, UMP, com 40% (365 a 415 eleitos), o PS com 28% (137 a 153 eleitos) e o novo partido do terceiro colocado nas presidenciais, François Bayrou, com 15% (2 a 10 eleitos). Aliás, a sigla do novo partido é MoDem (hshsh).

Enfim, o que interessa é que hoje fiquei conhecendo um novo partido francês. É o Parti de la Loi Naturelle (Partido da Lei Natural). Resumidamente, a proposta do PLN é a resolução definitiva de todos os problemas da humanidade através da meditação e da unificação de todos os conhecimentos sobre as leis da natureza. Tudo isso será feito com a retomada do pensamento veda.

Se você quer ver o PLN em ação, aconselho fortemente este vídeo. Para os que não entendem nada de gaulês sugiro agüentar até mais ou menos o meio do vídeo para ver como funciona a técnica de meditação dos membros do partido.
Não é à toa que o título do vídeo (de onde tirei o título do post) é Vidéo à se taper le cul parterre. Aceito sugestões para uma boa tradução. Lá vai o vocabulário: taper (pular); cul (cu); parterre (chão).

Greve dus istudanti

Wednesday, May 9th, 2007

Três dias depois do fim das eleições, a queimação de carros e a pancadaria continua aqui no Baguette. Sabe como é: protesto da esquerda contra essa democracia absurda que faz a direita ganhar. Democracia verdadeira só se a Ségo tivesse vencido.

Aproveitando a situação, o pessoazinho da universidade públicagratuitaedequalidade resolveu invadir o campus da Universidade de Paris I – Panthéon-Sorbonne na Rue Tolbiac, não muito longe aqui da Cité Universitaire. Bloquearam os 15 elevadores que dão acesso aos 22 andares do prédio, suspendendo todas as aulas. Enquanto os cães de guarda trancam os elevadores, a concentração é feita no anfiteatro Mendès-France, com capacidade para 800 pessoas.

Tudo isso, é claro, enquanto Nicolas Sarkozy passeava em um iate em Malta, no Mediterrâneo (deve chegar hoje de noite em Paris). A posse será dia 16 de maio.

Desde fevereiro todo mundo conhece as propostas de Sarko para a educação, expostas em uma reunião de seu partido, a UMP. Eis algumas:

- Acabar com a tal da carte scolaire, sistema que impede a matrícula de alunos em qualquer instituição, obrigando-os a permanecer nas escolas de sua região. Como está todo mundo cansado de saber, esse sistema gera uma brutal segregação social e regional, já que os ricos vão continuar morando nos melhores bairros e freqüentando as melhores escolas e os pobres continuarão morando nos piores bairros e freqüentando as piores escolas.

- Autonomia dos estabelecimentos de ensino. A idéia é estimular a competição, essa coisa neoliberal horrível.

- Remuneração dos professores de acordo com o mérito, outro absurdo da Era Bush.

- Incentivo a cursos privados, sobretudo nas eufemisticamente chamadas “zonas sensíveis”, ou seja, onde o pessoal se diverte queimando os carros alheios.

- Aumentar 50% o investimento no ensino superior até 2012, o que implica 5 bilhões de euros a mais do que o orçamento atual. A idéia é direcionar a grana para pesquisa, não para coisas inúteis como Ciências Humanas. Já tem $ociólogo demais na França.

- Liberdade para as universidades contratar e demitir professores, gerar o próprio patrimônio e definir escolhas pedagógicas.

Ingredientes perfeitos para o outromondopossível surtar.

Bernard-Henri Lévy, um comuna

Wednesday, May 9th, 2007

O filósofo francês Bernard-Henri Lévy, que falou ontem em Porto Alegre no Fronteiras do Pensamento, consegue ser o único comuna que se declara seguidor de Alexis de Tocqueville.

A Folha de hoje traz uma matéria sobre a participação dele no evento (abaixo). Marcos Strecker, enviado do jornal a Porto Alegre, já começa a matéria metendo os pés pelas mãos com um “filósofo mais polêmico da França“. Não é, lamento.

Tirando um certo grau de desespero comuna, o que Lévy fala sobre Sarkozy está certo, mas quando inventa de falar sobre sua musa inspiradora, Ségolène Royal, cai no ridículo:

E o grande mérito da candidata socialista derrotada, Ségolène Royal, foi ter quebrado um tabu da esquerda francesa: conseguiu aproximar os socialistas do centro e da centro-direita, abandonando a ligação histórica com a extrema esquerda. “Mesmo perdendo, ela foi vitoriosa por causa disso”, declarou Lévy ontem na capital gaúcha.

Com a viagem para o Bananão, Lévy parece que parou de ler jornais (ou nunca leu, seguindo a tradição filósofica). Não deve ter visto que foi só sair o resultado da derrota socialista, para o ex-ministro Dominique Strauss-Kahn, considerado de “centro”, descer o pau na Ségolène. Se tem alguma coisa que qualquer analista político por aqui sabe é que o PS não fez nada para Ségolène ganhar. Aliás, ela só chegou onde chegou porque boa parte das pessoas estava cansada da mesma ladaínha dentro do partido e viu com bons olhos essa independência relativa que ela procurou estabelecer com os caciques (ou “elefantes”, como chamam aqui) do PS.

E o abandono da “ligação histórica com a extrema esquerda” também foi ótimo. É impossível saber o que ele quer dizer com isso. Talvez também não tenha visto que Ségolène convidou José Bové para ajudar em seu plano de governo sobre a globalização – catástrofe semelhante ao terrorismo, segundo a socialista – e para pensar a “soberania alimentar”. Lévy deve achar que Bové é de “centro”.

Mas o intelectual modera o tom ao falar das manifestações de rua anti-Sarkozy e dos mais de mil veículos incendiados no país desde a vitória do conservador. “Os conflitos aconteceriam com Sarkozy ou Ségolène. E vão continuar porque o modelo republicano francês está falido. Sim, há vandalismo e essas ações precisam ser combatidas, mas há um enorme desemprego nessas periferias, e o problema do discurso contra a barbárie é que ele oculta os problemas sociais”, afirmou.

Ou o jornalista se perdeu e vinculou a pancadaria que está rolando desde domingo com os “conflitos” (sociais ou sei lá de que tipo) mencionados por Lévy, ou lamentarei até a morte a vitória do Sarkozy por eu ter perdido a cena histórica de direitistas queimando tudo nas ruas caso Ségolène tivesse ganho.

Claro, aproveitando a passagem pela Banana, Lévy vai a Brasília visitar seu cumpanhêro de luta, o terrorista Cesare Battisti, preso no Rio em março deste ano. A pauta da conversa certamente será como construir outromundopossível matando uns burgueses por aí.

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Gol do Pequeno Nicolas

Monday, May 7th, 2007

A cobertura completa do primeiro e do segundo turno das eleições está lá na categoria “Eleições francesas” d’A Nova Corja.

Os vídeos estão todos no Dailymotion e coloquei as fotos do segundo turno no Yahoo! Fotos.

Fillon e Ségo

Saturday, May 5th, 2007

Christophe Barbier, editor da revista semanal L’Express, conta uma história genial no seu blog sobre François Fillon (UMP), ex-ministro da Educação e das Questões Sociais e responsável pela “Lei Fillon”, de 2003, que reformou o sistema de aposentadoria francês.

Fillon, atualmente Senador, é o político mais cotado para assumir o cargo de Primeiro-Ministro se Sarkozy ganhar as eleições amanhã.

Ainda no Ministro da Educação, Fillon foi chamado para ir à Assembléia e teve que escutar a choradeira dos deputados socialistas. A oradora era Ségolène Royal.

Com um tédio talvez maior do que o meu ao ouvir o discurso da Ségo cercado de 40 mil pessoas, Fillon, discretamente, abriu em cima dos joelhos um livro sobre touradas. Ele é viciado em corrida de carros, alpinismo e touradas.

Ségo vi e surtou. Interrompeu o discurso e foi para outra sala da Assembléia, onde alguns deputados conversavam com jornalistas, exigir a demissão de Fillon.

Xilindró

Thursday, May 3rd, 2007

Aqui é o baguette, mas não é a banana.

O congolês Angelo Hoekelet, que zidaneou a cara de um fiscal da RATP 27 de março, foi condenado a seis meses de prisão. É pouco, mas já é alguma coisa e se junta às outras sete condenações que ele já tem, sendo que duas também foram por atos violentos em 1997 e 2003.

Como postei em detalhes aqui, foi a cabeçada que gerou a pancadaria gigantesca na Gare du Nord.

E como viver é recordar, lá vai a Ségo, cagando pela boca em declaração um dia depois do tumulto:

Evidentemente que os passageiros devem pagar pelos seus bilhetes. Mas que um simples controle possa degenerar em um afrontamento tão violento prova que a coisa não se sustenta mais.

Pobre congolês, oprimido pelo sistema.

Ségo x Sarko, o duelo

Thursday, May 3rd, 2007

Passada a ressaca alcóolica e política, eis algumas pequenas notas sobre o debate de ontem (as citações eu traduzi da “transcrição exaustiva” do debate do comuna Le Monde):

1) Ceva – era impressionante a quantidade de gente nos supermercados comprando cerveja para assistir ao debate. Igual a jogo de Copa do Mundo. A audiência foi de mais de 20 milhões de pessoas (a França tem 63 milhões de habitantes). Política é um evento midiático e de consumo. Para o horror do pessoalzinho do omundovaiacabaramanhã, só posso dizer: que bom que é assim.

2) Formato – o Brasil é uma favela. Somos humilhados miseravelmente pela França em relação ao formato dos debates. Aqui a coisa é simples e eficaz: dois mediadores lançam as questões e os candidatos fazem o resto. Um começa respondendo, o outro replica e assim vai. Pode haver interrupções de ambos, tudo é livre. O tempo que cada um fala é marcado para que, no final de cada bloco de questões e do debate inteiro, haja praticamente uma igualdade. O tempo de duração previsto para ontem era de 2 horas, mas acabou durando 2h40 (o Intercine sempre pode esperar…). O que está por trás de tudo isso é elementar: gente grande consegue debater sem precisar de tempo cronometrado nem microfone cortado.

3) Sarko, o mestre da retórica – chega deu pena ver a Ségolène debatendo com a raposa do Sarkozy, mestre total da oratória e do biriri político. O Pequeno Nicolas usou e abusou de duas velhas táticas da retórica política: sempre dizer que o adversário tem razão, para depois marcar a diferença e soltar a pancada, e responder com tiradas rápidas e fulminantes para imediatamente mudar de assunto, deixando o “tomou na cara” no ar, monopolizando a “concentração” do debate. Claro, o voluntarismo sarkozista (ter resposta para absolutamente tudo) também dá uma bela contribuição para não deixar nada pendente e ir direto ao ponto sempre. Ele resolve tudo. Disque-Sarko.
4) Les partenaires sociaux – o que não mudou nada com o debate foi o que todo mundo já sabia: Sarkozy tem resposta para tudo, Ségolène não tem resposta para nada. A socialista não conseguiu citar cifras para coisa alguma, o que foi um prato cheio para Sarko. Mas o pior foi a questão dos partenaires sociaux (parceiros sociais, ou seja, sindicalista grevista). Perdi a conta de quantas vezes ela disse que o tema tal seria discutido pelos partenaires sociaux. Ou seja, o nada sobre o nada em relação ao nada.

5) 35hs, a demência francesa – a especificidade mundial francesa das 35hs de trabalho semanais foi um dos pontos altos do bate-boca. Ségo acha o seguinte:

Porque você sabe muito bem que isso [35hs] corresponde a um progresso social. Você sabe o que as pessoas fizeram do seu tempo livre, que criou mais de 1 milhão de empregos? As pessoas, em 70% dos casos, se ocuparam melhor de suas famílias. Muitas mulheres, particularmente nos casos de trabalhos mais difíceis, estão cansadas no final de 35hs.

Claro, sobra bastante tempo para a família nos 48 minutos trabalhados a menos por dia. Ségo manteve a mesma posição de sempre: vai passar uma maquiagenzinha nas 35hs e pronto, está tudo muito bom. Isso inclui, é claro, a discussão com os partenaires sociaux. O Pequeno Nicolas, contra a concepção coletivista do Estado, prega a liberdade individual (os comunas odeiam isso) de cada um trabalhar o quanto quiser, até morrer. Dúvidas? Disque-Sarko.
6) Um policial em casa esquina – Na última eleição para a Prefeitura de Porto Alegre, o ex-governador Jair Soares tinha como proposta para a segurança pública colocar um policial em cada esquina. Ninguém teve a mínima dúvida de que a criminalidade cairia a praticamente zero. O problema – como disse alguém que se prestou a calcular – era que para fazer isso seria necessário 3 vezes o efetivo do Exército Brasileiro.

Há alguns dias uma policial foi estuprada em um parque logo depois que saiu do trabalho em Bobigny. É a segunda policial do comissariado, em menos de dois meses, que é estuprada depois de sair do trabalho à noite, exatamente no mesmo local. Proposta da Ségo:

Se eu for eleita Presidente da República, os agentes públicos serão protegidos, especialmente as mulheres; elas serão acompanhadas até suas casas quando saírem tarde dos comissariados de polícia.

Sarko: Você vai fazer com que todas as funcionárias mulheres sejam acompanhadas quando vão para casa à noite…

Ségo: Perfeitamente!

Sarko: Haverá uma função pública a serviço dos franceses e uma outra função pública a serviço dos funcionários que voltam para casa.

7) Papai Estado, me salva – Quando se trata de gasto público, o assistencialismo estatal domina qualquer político francês. Ontem não foi diferente. Sarko prometeu aumentar tudo quanto é aposentadoria, pensão e ajuda estatal. Até armação e lente de óculos serão reembolsados pelo direitista. Vejam bem: quem falou isso é o candidato tido como “liberal”.

Pelo menos Sarko disse que ia baixar o TVA, o imposto embutido nos produtos. Ségo não vai e, nisso, é coerente com seu estatismo máximo. A única baixa de imposto que a socialista prometeu é para produtos ecologicamente corretos, isolamento de casas, esse tipo de coisa.

8) Je suis en colère! – Discussão sobre o acesso às escolas para crianças com deficiência. Ségo:

Estou em chamas
(ok, deixem eu me divertir com a tradução do en colère – em cólera, literamente; indignada). Os pais e as famílias…

Sarko: Acalme-se e não me aponte esse dedo!

Ségo: Não, não vou me acalmar!

Sarko: Para ser Presidente da República é preciso ser calmo.

Ségo: Não, não quando existem injustiças! Há revoltas [colères] saudáveis porque elas correspondem ao sofrimento das pessoas. Há revoltas que eu terei, mesmo quando for Presidente da República.

Sarko: Isso vai ser engraçado!

9) Vencedor? – o Instituto OpinionWay fez uma sondagem para a LCI e o Le Figaro mostrando que 53% das pessoas achou Sarko mais convincente do que Ségo, que ficou com 31% no critério “acredito em tudo que vosmecê diz”.

Claro, a pesquisa é para a mídia má. Certamente é comprada, segundo os comunas.

Royal coup de boule

Thursday, May 3rd, 2007

Imperdível o joguinho on-line Royal coup de boule:
royalcoupdeboule.com

Ségo, com cabeçadas zidanísticas, tem que derrubar o máximo possível de Sarkos.

Comício da Ségo

Wednesday, May 2nd, 2007

Lá vão os três vídeos do comício da Ségolène ontem, no Estádio de Charléty, Paris:

1) chegada no estádio
2) timbalada bananística
3) momento em que a candidata chega ao palco

Tem algumas fotos no meu Flickr e 88 estão no Yahoo! Fotos.

O único comentário que faço é que fui embora antes de acabar o discurso. Impossível agüentar de tanto sono.

Quem comenta direito o comício é o Mário lá no Política à francesa.

Para hoje à noite: cerveja e debate Sarko x Ségo às 21hs.

Da banana e do baguette, um tratado

Tuesday, May 1st, 2007

Depois de desancar os filhotes de Derrida, Foucault, Lacan e cia, Sarkozy segue na mesma linha e aproveitou o 1o de maio para meter pau no pessoal da grevetododia:

o canlendário da democracia política não pode ser ridicularizado pelo calendário sindical. (…) Eu acredito no diálogo social. Mas as eleições servem para alguma coisa. Não são os manifestantes que fazem o programa eleitoral dos candidatos. (…) Farei isso [aplicação do seu programa sobre o trabalho] na negociação com as forças sindicais, mas que as coisas fiquem claras: não sou o candidato do imobilismo, não sou o candidato do conservadorismo. A França precisa mudar, a França precisa de reformas, a França precisa de poder de compra e de emprego pleno.”

Se tem uma coisa que chocou meus modos bananísticos quando cheguei aqui em outubro passado e comecei a acompanhar mais de perto as eleições é essa abertura que os políticos têm para dizer qualquer coisa. No Brasil, é algo inconcebível.

A imprensa, nossos bons costumes escravocratas e assessores políticos surtariam se algum candidato à presidência do Bananão falasse mal dos sindicatos. E isso em um país em que é preciso pouco para comprar a CUT, a Força Sindical, a UNE, o MST e qualquer outro ajuntamento de outromundopossível que se imagine.

Aqui, Sarkozy fala mal de sindicato e a Ségolène não se cansa de repetir que a tal da globalização é tão terrível quanto o terrorismo. A socialista chama José Bové para “estudar” a globalização e derrotar o dragão imperialista com seu bigode mágico (post abaixo). Aqui, os partidos da chamada “extrema esquerda” (que agora votam na “neoliberal” Ségo com medo da direita) fazem a Heloisa Helena parecer uma tucana. Le Pen, cujas posições políticas todo mundo conhece, é um fenômeno que domina a política francesa há uns 30 anos.

O que é melhor? Cada um poder dizer a merda que bem entende, por mais patético que seja (baguette), ou simplesmente esconder o que pensa porque, se falar a verdade, ninguém vai levar a sério (banana)? Ou será que nosso grande guia Lula já nos fez avançar no tempo, agora que ele mesmo fala em limitar greves e coloca de escanteio o Pê Tê radical?

Ségo vai perder as eleições porque passou a campanha inteira sem falar absolutamente nada. Pregou a renovação, mas apresenta um programa que não muda em nada a estrutura que há anos é responsável pela falência de um país que tem teoricamente tudo para ter pouquíssimos problemas.

Sarko vai ganhar, mas o problema é que as críticas estilo Regina Duarte que a esquerda faz contra ele não são totalmente malucas. Chega a ser desesperador o voluntarismo sarkozista. Mais desesperador ainda quando se vê o Pequeno Nicolas, com aquela latinha, ensopado de suor, discursando e prometendo, em um passe de mágica, o paraíso eterno do pleno emprego. Antes de alcançar o paraíso sarkozista, por exemplo, vai ter que fazer a França inteira se convencer que o comércio precisa abrir às 8hs, não às 10hs.

Bom, chega disso. Tem o último showmício da campanha da Ségolène aqui ao lado da Cité Universitaire, no estádio Charléty. Irei e prometo fotos.

Ministro Bové

Monday, April 30th, 2007

Como eu já tinha postado aqui, Ségolène encarregou José Bové de “estudar” o problema da globalização. Hoje, um dia antes de seu último comício, os dois se encontraram para acertar os detalhes.

É o outromundopossível sem McDonald’s.

Ego e barriga inflados

Monday, April 30th, 2007

Um tradutor americano resolveu tocar o horror nas legendas de um dos discursos do Sarko, no dia 22 de abril, transmitido para os EUA. Sarko convidou os franceses a se aliarem a ele, mas na legenda saiu um “rally my inflated ego“.

Abaixo, mais uma foto da torcida organizada sarkozista:


Domingo tudo se tornará possível com Sarkozy.

Pau em 68

Monday, April 30th, 2007

Da Folha de S. Paulo:

Sarkozy promete “virar a página de Maio de 1968″

Francês diz que esquerdas são assistencialistas

DO “LE MONDE”

Já na reta final da campanha para o segundo turno das presidenciais francesas, no próximo domingo, o candidato do bloco de centro-direita, Nicolas Sarkozy, afirmou ontem que “virará a página de Maio de 1968″, menção à greve geral daquele ano, desencadeada pelas barricadas estudantis.

Ele acusou as esquerdas, hoje unidas em torno da candidata socialista, Ségolène Royal, de terem uma concepção “assistencialista” do Estado. A seu ver, as esquerdas poderiam seguir o exemplo do ex-primeiro-ministro Jules Ferry (1832-1893), um reformista, mas preferiu o modelo de 1968.

Os veteranos daquele movimento -afirmou- preparam, por meio da contestação sistemática aos parâmetros éticos, o terreno para “os desvios do capitalismo financeiro” e para que nas empresas estatais se instalem marajás.

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