Archive for the ‘Filosofia’ Category

Descomunal inteligência e riqueza invulgar de pensamento

Tuesday, June 9th, 2009

Recomendo fortemente a leitura da coluna de hoje do maior intelectual do estado mais intelectualizado e politizado do Brasil:

“Terça-feira, 09 de junho de 2009
Mangabeira Unger
Postado por Sant’Ana às 06h45

Há muito tempo que eu não me apaixonava por um homem. (…) Não há no Brasil quem detenha mais conhecimento do que ele. Sua visão sobre todas as questões humanas e planetárias é tão genial, que não há dúvida de que ele está pronto para ser um estadista de repercussão fenomenal. (…) Eu me apaixono por homens que são dotados de descomunal inteligência e riqueza invulgar de pensamento. Este é o único brasileiro que conheço nessa condição.”

Mangabeira Unger, como todos nós estamos exaustos de saber pelo menos desde janeiro de 2006, é amigo de longa data de Daniel Dantas e atuou, entre 2002 e 2005, como consultor da Brasil Telecom (recebeu US$ 1,176 milhão) e, ao mesmo tempo, como trustee do grupo Opportunity – de Dantas e, na época, acionário da Brasil Telecom.

O resto da história você também está cansado de saber: Mangabeira, depois de ter chamado o governo petista de “o mais corrupto de nossa história nacional“ e acusado Lula de ser “avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância” e “inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou”, em artigo na Folha de S. Paulo do dia 15 de novembro de 2005,  assumiu a SEALOPRA (Secretaria Especial de Ações a Longo Prazo – nome que, infelizmente, não foi adotado e se transformou na Secretaria de Assuntos Estratégicos).

Em janeiro de 2008, por exemplo, Mangabeira aplicou sua “descomunal inteligência e riqueza invulgar de pensamento” ao propor, em Manaus, juntamente com uma comitiva de 38 a$$e$$ore$, solucionar o problema da seca nordestina construindo um aqueduto da Amazônia até o Nordeste. Dois dias depois, Mangabeira e seus 38 a$$e$$ore$ foram informados de que “só em Manaus, onde vivem mais de 1,8 milhão de habitantes, quase 700 mil não dispõem de água encanada em suas casas” e que, portanto, o mangabeiroduto da “ação revolucionária em direção a uma obra libertadora” deveria ser construído em outro lugar.

Como também já estamos exaustos de saber, Mangabeira Unger é o filósofo brasileiro mais citado no exterior, em grande parte devido às referências feitas por Jürgen Habermas. O filósofo alemão, criador da chamada Ética do Discurso, é autor de uma obra vasta e complexa, que inclui, entre outros, os livros Consciência moral e agir comunicativo (1983), O discurso filosófico da modernidade (1985), Pensamento pós-metafísico (1988), Comentários à ética do discurso (1991), Direito e democracia (1992), A inclusão do outro (1996), Verdade e justificação (1999), O futuro da natureza humana (2001), Fé e saber (2002) e Entre naturalismo e religião (2005).

Um exemplo prático de uma sugestão de Habermas – que, da mesma forma que Mangabeira, é frequentemente descrito como possuidor de ”descomunal inteligência e riqueza invulgar de pensamento” – pôde ser conferido no artigo que o filósofo alemão publicou no jornal Süddeutsche Zeitung, reproduzido pelo Caderno Mais! da Folha de S. Paulo em 27 de maio de 2007:

Ouvintes e espectadores não são apenas consumidores mas também cidadãos com direito à participação cultural, à observação da vida política e à voz na formação de opinião. Com base nesses direitos, não é o caso de deixar programas voltados a tais necessidades fundamentais da população à mercê da conveniência publicitária ou do apoio de patrocinadores. (…) A ideia de uma reserva pública voltada para a mídia eletrônica pode ser interessante. (…) Quando se trata de gás, eletricidade ou água, o Estado tem a obrigação de prover as necessidades energéticas da população. Por que não seria igualmente obrigado a prover essa outra espécie de “energia”, sem a qual o próprio Estado democrático pode acabar avariado? O Estado não comete nenhuma “falha sistêmica” quando intervém em casos específicos para tentar preservar esse bem público que é a imprensa de qualidade.

Resumidamente, é a defesa da Tê Vê Braziu em versão alemã – uma espécie de Tê Vê Chuchute - já que é necessário que o Papai E$tado intervenha para evitar que as massas, oprimidas e ignorantes, sejam influenciadas pela mídia má, feia, bobona, neoliberal, mercadológica, golpista, neocon e imperialista.

Na mesma edição do Caderno Mais!, o crítico literário Marius Meller, em 3 frases, implode a obra completa de Habermas:”Em questões de moral, sr. Habermas, o ator principal é o indivíduo, não o sistema. Já nos anos 1980, o sr. profetizou a queda da democracia por conta da televisão privada, e estava errado. Eu sinceramente espero que o esquema gnóstico de bem e mal que o sr. tão frivolamente aplica ao liberalismo e ao neoliberalismo não se torne uma ideologia que um dia venha a invocá-lo como sua fonte“.

Acho que Meller pegou leve demais.

Paulo Sant’Ana admira Mangabeira Unger, o filósofo brasileiro mais citado no mundo porque Habermas,  defensor de subsídios estatais para garantir a qualidade da imprensa (o que ele entende por qualidade, bem entendido), achou que sua obra merecia ser comentada.

É impressão minha ou o universo faz cada vez mais $entido?

Antonio Cicero

Sunday, May 3rd, 2009

Em plena semana Ahmadinejad e aproveitando que  os órfãos do esquerdismo falido cada vez mais apelam para o que eu chamo de filosofia do desespero, vale a pena ler a coluna do Antonio Cicero na Folha de S. Paulo de sábado. 

A íntegra pode ser encontrada no próprio blog do Cicero.  

Destaque para o trecho em que, de forma simples e clara, ele resume o principal argumento contra um tipo bastante conhecido de relativismo cultural que circula feliz e saltitante pela acadimia du Braziu (grifo meu):

“A suposição de que há diferentes “regimes de verdade” irredutíveis uns aos outros e de que o nosso regime de verdade, sendo apenas um entre outros, não tem privilégio nenhum quanto aos demais conduz a impasses teóricos jamais adequadamente enfrentados por Foucault. Por exemplo, se não temos o direito de julgar as verdades dos iranianos porque eles têm um diferente regime de verdade, então não temos sequer o direito de afirmar que eles têm um diferente regime de verdade: principalmente se levarmos em conta que, a partir do seu próprio regime espiritual de verdade – segundo o qual o Islã é a verdade absoluta -, os iranianos jamais reconheceriam a “verdade” de que o nosso regime de verdade seja diferente do deles: ou mesmo de que existam diferentes regimes de verdade.”

Debates Pertinentes: para Entender os Intérpretes da Sociedade

Friday, May 1st, 2009

Divulgando evento que ocorrerá no Instituto Goethe Porto Alegre daqui a duas semanas:

Ciclo de Palestras Debates Pertinentes

11 a 14 de maio de 2009
19:00 às 22:00 horas
Goethe-Institut Porto Alegre

Entrada franca

+55 51 21187802

Inscrições:
info@portoalegre.goethe.org

Um ciclo de palestras abordando temas da atualidade social, política e econômica. Uma promoção conjunta do Departamento de Ciências Sociais e PPG em Ciências Sociais, FFCH/PUCRS, Instituto Goethe e AEBA-RS, com coordenação do Prof.Dr. Hermílio Santos.

Programa

11 de maio
Segunda-feira

Relevância e tipificação em Alfred Schütz
Prof. Dr. Hermílio Santos

Norbert Elias e o processo civilizador
Prof. Dr. Ricardo Mariano 

Teoria sistêmica de Niklas Luhmann
Prof. Dr. Léo Peixoto Rodrigues

12 de maio
Terça-feira

Marcel Mauss e os sentidos do dom
Profa. Dra. Lúcia Müller 

O individualismo na obra de Louis Dumont
Prof. Dr. Airton Jungblut

13 de maio
Quarta-feira

Liberdade e igualdade em Alexis de Tocqueville
Profa. Dra. Marcia Ribeiro Dias 

Raymond Aron, sociólogo e internacionalista
Profa. Dra. Maria Izabel Mallmann

14 de maio
Quinta-feira

Axel Honneth e a teoria da justiça
Prof. Dr. Emil Sobottka 

Françoise Héritier e o tema da violência
Profa. Dra. Fernanda Bittencourt Ribeiro 

Pierre Bourdieu: a força do Direito e a violência das formas jurídicas
Prof. Dr. Rodrigo Azevedo”

Esperando Foucault, ainda – Marshall Sahlins

Tuesday, April 28th, 2009

Entediado com a atual leitura da privada? Uma dica: Esperando Foucault, ainda (Cosac Naify, 2004, R$ 33,00), do antropólogo americano Marshall Sahlins, professor na Universidade de Chicago. 

Trata-se, segundo o próprio livro, de um “entretenimento pós-prandial oferecido por Marshall Sahlins à IV Conferência Decenal da Associação de Antropólogos Sociais da Commonwealth, Oxford, julho de 1993 – agora em sua 4a edição, ampliada“. São mini-capítulos nos quais Sahlins arruina tudo: da French Theory, passando pelas novas tendências da antropologia, até chegar no meio acadêmico em geral. Lá vão dois dos mini-capítulos:

cursos para os nosso tempos

Um colega da Universidade de Chicago, especialista em cultura material, ofereceu um curso sobre o “blues de Chicago”, sob o título geral de “Estudo intensivo de uma cultura”, uma fórmula guarda-chuva usada para cursos de graduação dedicados à apresentação  de pesquisas etnográficas recentes. Pensando que, se o blues de Chicago é uma cultura, o futebol americano de Michigan também poderia ser uma outra – na qual tenho experiência de pesquisa intensiva -, vi-me provocado a inserir a seguinte nota no quadro de avisos do departamento:

ESTUDO INTENSIVO DE UMA CULTURA: O FUTEBOL DE MICHIGAN
Antropologia 21225
Sábados, de 13:30 às 16:30
Crédito extra pelo dia de ano novo
Professor: Marshall Sahlins
Nível: exclusivamente para estudantes de graduação; limite de 10 alunos

Devido à impossibilidade da Presença pura, o material do curso consistirá em transmissões de vídeo – consideradas, entretanto, em sua textualidade. Não há pretensão alguma de enunciar uma narrativa-mestra ou totalizada sobre o futebol de Michigan. Quer-se apenas tematizar certas aporias da Power-I formation – ou seja, da subjetividade pós-moderna. Os tópicos abordados incluirão: trash-talking ou discursos contestados; tight ends, spread formations e outra posições de sujeito; pós Gerry-Fordismo ou sujeito de-centrado; pós-desconstrução e outras celebrações de vitória; e o essencialismo dos capacetes.¹

Mas não foi essa a graça. O engraçado foi a quantidade de alunos, inclusive pós-graduandos, que levou a coisa a sério e acreditou realmente existir tal curso, enviando-me mensagens de e-mail solicitando a inscrição. Um deles perguntou se eu poderia aceitá-lo como assistente. Quando o período acabou, outros quatro vieram perguntar como tinha sido o curso. Assustador!

¹ Power-I e spread formations são formações ofensivas que dispõem os jogadores em linha, no primeiro caso, paralela, e, no segundo, perpendicular às laterais do campo. Tight end é a posição lateral e trash talks são provocações verbais entre os jogadores. O crédito extra no ano novo refere-se ao fato de ser este o dia da final do campeonato de futebol universitário americano.” (p. 30-32)

***

relevância

Não posso falar da Grã-Bretanha, mas nos Estados Unidos, muitos estudantes de antropologia não têm o menor interesse em outros tempos e lugares. Eles dizem que deveríamos estudos nossos próprios problemas, qualquer outra etnografia sendo, de qualquer modo, impossível, já que não passaria de uma “construção do outro” de nossa parte.
     Assim, se conseguirem o que querem e isso se converter em princípio de pesquisa antropológica, daqui a cinquenta anos ninguém vai prestar a menor atenção ao trabalho que eles vêm fazendo agora. Bem, talvez eles tenham sacado alguma coisa.” (p.34)

Sociedade de controle e a filo$ofia da macaquice

Wednesday, April 22nd, 2009

Trecho de um dos editoriais da Folha de S. Paulo de ontem:

Não faltam estudos apontando que o ensino médio se encontra numa encruzilhada no Brasil. Mais um acaba de surgir, realizado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas. Registra que um em cada cinco jovens entre 15 e 17 anos – a idade-alvo do antigo segundo grau – abandona a escola na Grande São Paulo. É o maior índice entre as seis regiões metropolitanas avaliadas.”

Matéria publicada na Folha de S. Paulo de hoje:

Professor sem preparo trava uso de computador em escola – A implantação de laboratórios de informática em todas as escolas públicas do país até o fim de 2010, prometida pelo governo Lula, esbarra no despreparo dos professores para usar o computador e na falta de manutenção dos equipamentos e das instalações, responsabilidade de Estados e municípios. É o caso de Almenara (MG), onde os 15 computadores da escola estadual Angelina Nascimento são usados apenas por cerca de 15 horas ao mês. Motivo: os professores temem quebrar as máquinas.

Ok, tudo mundo sabe que o sistema educacional está falido e ninguém tem a menor ideia do que fazer a respeito. Mas o que pouca gente percebe é que a grande responsável pela falência completa no entendimento do que está acontecendo é a macaquice intelectual que toma conta de boa parte do meio acadêmico brasileiro. Resgatar certas ideias e autores -geralmente apóstolos do que eu chamo de filosofia do desespero – sempre parece ser a saída mais fácil para tentar encontrar alguma explicação para tudo que escapa à mínima compreensão.

O exemplo mais recente e constrangedor é um artigo intitulado “Pensar a educação depois de Foucault”, publicado na última edição da Revista Cult. A revista, como se sabe, transformou-se em um panfleto esquerdista decadente. Na capa da edição anterior, Marilena Chaui – aquela que achava que o mensalão foi uma “construção fantasmagórica da mídia” –, sorridente, toma conta de toda a capa da revista, que a considera “uma das personalidades mais admiráveis do país”. Cada um com a canalhice intelectual que lhe agrada, mas o problema neste caso é que a revista tem se dedicado há bastante tempo à questão da educação e tornou-se referência não só para 9 entre 10 estudantes de pedagogia saltitantes, como também para um certo público de estudantes do ensino médio.

O texto sobre a educação do “Dossiê Foucault” , disponível na íntegra no site da revista, é um dos sinais da lástima acadêmica nacional. Não vou nem entrar na questão do problema gigantesco que é usar Foucault para tentar entender QUALQUER COISA do mundo atual nem nas firulas interpretativas que fizeram de sua obra (sempre surgirá alguém para defender que “não foi bem isso que ele quis dizer”).

O problema, aqui, é mais primário: os argumentos do texto estão ERRADOS. Matematicamente errados, estatisticamente errados.

Vamos a eles, com grifos meus:

A passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle permite entender as mudanças pelas quais a instituição escolar vem passando desde a última década a fim de tornar-se a instância de produção do novo sujeito moral, o sujeito flexível, tolerante e supostamente autônomo, requerido pelas novas modulações do controle que gravitam entre o Estado e o mercado neoliberal. Nesse processo, tornaram-se decisivas novas tecnologias informacionais, nutricionais, educativas e físicas, as quais se destinam a ampliar as capacidades corporais e cognitivas dos indivíduos, que devem se tornar empreendedores de si mesmos.

Agora, à análise de cada um dos absurdos: 

- “Tecnologias informacionais – O segundo texto da Folha, citado acima, comprova estatisticamente e com fatos a falência completa da adoção de “tecnologias informacionais” nas escolas. Aliás, um dos grandes problemas educacionais contemporâneos é como fazer com que essa coisa defasada chamada escola consiga competir com as possibilidades praticamente infinitas abertas pelas novas tecnologias.

Conclusão: sociedade de controle através de tecnologias informacionais = não existe.

- “Tecnologias nutricionais” – Segundo o estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizado pelo Ministério da Saúde e pela USP e publicado no início do mês, 43,3% da população brasileira está com o peso acima dos níveis recomendados e 13% está obesa. Esta matéria, de 2001, afirma que “a obesidade infantil aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos no Brasil” e “já atinge cerca de 10% das crianças brasileiras”. Esta outra, de 2006, afirma que “no Brasil, 15% dos nossos jovens estão acima do peso, sendo 5% obesos; estima-se um aumento de 240% da obesidade infantil, no nosso país, nos últimos 20 anos.” Dado o estrago da situação, na semana passada, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou uma lei que proíbe as cantinas em escolas públicas e particulares de vender alimentos com gordura trans, o inclui coxinhas, doces e refrigerantes. Mas o presidente do Sieesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo) dá a real: “A medida é eleitoreira e não adianta. Na saída da escola, as barracas vão continuar vendendo pastel.” Faliu o tal do controle para moldar o “sujeito flexível” e adaptado ao “mercado neoliberal”?

Conclusão: sociedade de controle através de tecnologias nutricionais = não existe.

- “Tecnologias educativas” – Como se vê pelo texto do editorial da Folha citado acima, “um em cada cinco jovens entre 15 e 17 anos – a idade-alvo do antigo segundo grau – abandona a escola na Grande São Paulo”. Se isso não é sinal de falência das “tecnologias educativas”, eu não sei o que é.

Conclusão: sociedade de controle através de tecnologias educativas = não existe.

- “Tecnologias físicas” – Reler os dados acima no item “tecnologias nutricionais”. Depois, refletir sobre a questão da obesidade, sobre as aulas de educação física que você teve na escola e sobre os atletas brasileiros e a quantidade de medalhas que o país ganha em olimpíadas.

Conclusão: sociedade de controle através de tecnologias físicas = não existe.

Analisar o mundo de diversos pontos de vista é sempre recomendável. O problema é quando o ponto de vista adotado não tem relação alguma com nada de nada que se passa no mundo.

Arruinando Peter $inger

Friday, March 13th, 2009

Mudar este mundo injusto

Thursday, October 23rd, 2008

Do G1:

Estudante protesta contra corte de árvore em universidade no ES

Segundo a reitoria, aluno não sabia que ambientalistas foram consultados.

O estudante de filosofia José Junior Ramos se amarrou a uma árvore no campus Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), na manhã desta quinta-feira (23). Ele protestou contra o corte de árvores em área da universidade.”

Semana Filosófica (PUCRS – Campus Viamão) – 20 a 25 de outubro

Sunday, October 19th, 2008

Semana Filosófica 2008

PUCRS – Campus Viamão
20 a 25 de outubro

Inscrições e informações:

e-mail – semanafilosofica2008@gmail.com

Programação

20 de outubro, segunda-feira

* 8h – Abertura da Semana Filosófica 2008.
* 8h45min – Época de Mudança, Mudança de Época? Prof. Dr. Inácio Neutzling (UNISINOS)
* 10h30min – Intervalo
* 10h45min – Comunicações
* 19h – Comunicações
* 20h30m – Intervalo
* 20h45min – O Moderno e o Pós-moderno em economia: um estudo sobre a filosofia da ciência econômica. Prof. Dr. Gentil Corazza (UFRGS)

21 de outubro, terça-feira

* 8h – O Sujeito na Pós-Modernidade. Prof. Dr. Ernildo Jacob Stein (PUC/RS)
* 9h30m – Intervalo
* 9h45m – Habermas e a Pós-modernidade. Profa. Dra. Rosa Maria Filippozzi Martini (UNISC)
* 19h – Autonomia na Pós-modernidade: um Delírio. Prof. Dr. Mário Fleig (UNISINOS)
* 21h – Intervalo
* 21h15m – O Destino da Religião na Pós-Modernidade. Prof. Dr. Luis Carlos Susin (PUC/RS)

22 de outubro, quarta-feira

* 8h – O Primado da Ética sobre a Ontologia. Prof. Dr. Ricardo Timm de Souza (PUC/RS)
* 9h45min – Intervalo
* 10h – Bauman: Laços Frágeis na Pós-Modernidade. Prof. Dr. Augusto Jobim do Amaral (ESADE e ULBRA)
* 19h – Vattimo e Rorty, Filósofos do “Pensiero Debole”. Prof. Me. Moysés Fontoura Pinto Neto (UFRGS)
* 20h30min – Intervalo
* 20h45min – Uma Época sem Nome. Prof. Luciano Assis Mattuella.

23 de outubro, quinta-feira

* 8h – Um Itinerário do Pensamento de Edgar Morin. Prof. Dr. Juremir Machado da Silva. (PUC/RS)
* 9h45min – Intervalo
* 10h – Nietzsche, precursor da pós-modernidade? Prof. Dr. Nythamar Hilário Fernandes de Oliveira Junior (PUC/RS)
* 19h – Educação no Contexto da Modernidade e Pós-Modernidade. Prof. Dr. Marcos Sandrini (PUC/RS e Dom Bosco)
* 20h30min – Intervalo
* 20h45mim – Comunicações

24 de outubro, sexta-feira

* 8h – Comunicações.
* 9h30min – Intervalo
* 9h45min – Estética: O Espelho da Época (Pós-Modernidade). Profa. Dra. Maria Beatriz Furtado Rahde (PUC/RS).
* 19h – Programação Cultural

Dia 25 de outubro, sábado

* 8h – O pós-moderno como reivindicação de multiplicidade de visão do mundo. Dra. Alexandra Biezus Kunze
* 10h – Encerramento da Semana Filosófica 2008

Podem patrolar

Wednesday, April 2nd, 2008

Da France Presse, pela Folha Online:

Túmulo de Nietzsche é ameaçado por projeto de mineração

O túmulo do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) é há 108 anos o orgulho dos habitantes de Roecken, mas agora se encontra ameaçado por um projeto de mineração que pode tirar do mapa esta localidade nos confins da Saxônia, na antiga Alemanha Oriental.

(…)

Só que a região agora é objeto de um grande projeto de minas a céu aberto destinado a alimentar as centrais na Alemanha, um país que deu as costas à energia nuclear.

Os resultados do estudo que se realiza atualmente sobre o subsolo determinarão a viabilidade das intenções da mineradora Mibrag e, portanto, o futuro dos habitantes da localidade.

Entretanto, Roecken se apóia em seu filho predileto. “Nietzsche é nosso único trunfo”, afirma Dorothee Berthold, diretora da associação criada para tentar vencer a Mibrag, uma empresa controlada por investidores americanos.

(…)

O túmulo do filósofo, no entanto, atrai a cada ano apenas 1.500 visitantes, que aproveitam a viagem para visitar um pequeno museu ao lado da igreja e observar a casa na qual viveu até os cinco anos.

(…)

Apesar do projeto de mineração ter despertado a oposição da maioria dos habitantes, algumas pessoas também consideram este uma oportunidade de gerar empregos, como afirmam os partidos locais, com exceção dos Verdes.”

Mini-curso de filosofia

Thursday, March 6th, 2008

O Instituto Goethe Porto Alegre, a AEBA e o Depto. de Filosofia da PUCRS estão promovendo um mini-curso introdutório de filosofia no Goethe em abril. Lá vai a programação completa:

“Aprendendo a filosofar”

De 7 a 10 de abril
19h às 22h

Auditório do Instituto Goethe (24 de outubro, 112)

Entrada franca

Atividade complementar (12h)

Inscrições: info@portoalegre.goethe.org ou (051) 3222 7832

Promoção: Instituto Goethe, AEBA, Departamento de Filosofia da PUCRS

07.04 – Segunda-feira -19h
Para que “serve” a Filosofia? (Introdução à Filosofia)
Prof. Dr. Ricardo Timm de Souza

O que posso conhecer? (Lógica e epistemologia)
Prof. Dr. Claudio Almeida

08.04 – Terça-feira – 19h
Qual o sentido do ser? (Metafísica)
Prof. Dr. Ernildo Stein

Ser humano: um animal racional? (Antropologia)
Prof. Dr. Pergentino Pivatto

09.04 – Quarta-feira – 19h
Por que mentir é imoral? (Ética)
Prof. Dr. Thadeu Weber

A força do mais belo? (Estética)
Prof. Dr. Ronel Alberti da Rosa

10.04 – Quinta-feira – 19h
Deus: uma criação humana? (Filosofia da religião)
Prof. Dr. Draiton de Souza

A vida tem sentido? (Filosofia da existência)
Prof. Dr. Luciano Marques de Jesus

Mais 68

Monday, January 21st, 2008

Já que o assunto do momento nos cadernos culturais é o aniversário de 40 anos de Maio de 1968, vale destacar o artigo do sociólogo e colunista do El País Vicente Verdú, publicado no Caderno Mais! da Folha de S. Paulo de ontem. O artigo não é muito longo e comenta mais especificamente a relação entre o movimento de 68 e sexualidade atual, mas o trecho abaixo vai de encontro à matéria do Caderno Cultura da Zero Hora comentada três posts abaixo:

“Diante do poupar e da contenção sexual, [o movimento de Maio de 68] propugnava o gasto orgástico; diante da renúncia, o prazer já. A revolução “agora!” foi o grito fundamental que hoje se refere a qualquer coisa, desde o eletrodoméstico até a casa, da viagem ao fast food.

A economia revelou-se equivalente à repressão, e a utilidade ou finalidade se manifestaram como a marca desencantada do projeto e da ação. Diante do poupar repressivo, o gasto; da utilidade calculada, o imediatismo e, da finalidade, a aventura. Esses elementos fazem o triângulo da cultura de consumo.

Se os protagonistas de 68 conclamavam à criatividade, ao prazer, à liberação generalizada, também apelavam contra a sociedade de consumo, que, paradoxalmente, tornou-se a mais criativa e a que mais correspondeu a seus anseios de pecado sem penitência. O paradoxo era este: seus líderes repudiavam o consumismo sendo grandes consumistas por excelência: do tempo, do sexo, dos direitos, dos meios de comunicação.

De fato, tanto Maio de 68 quanto o sistema geral de consumo são inconcebíveis sem a gigantesca explosão da “mass media”. Veio daí o fato de a revolta ser, por um lado, muito ampla, como uma endemia, e, por outro, muito efêmera.”

Maio 68

Saturday, January 5th, 2008

A matéria principal do Caderno Cultura da Zero Hora deste sábado é sobre os 40 anos das manifestações de maio de 1968. Saíram dois trechos de comentários meus ali no meio do texto. A matéria do Gabriel Brust ficou bem boa e capta o que eu considero ser a interpretação mais razoável de 68:

“Os motivos para este fenômeno de questionamento em escala global pouca gente consegue precisar, mas agora, 40 anos depois, já é possível tentar traçar o que restou do pensamento de 1968. O principal legado parece ser, paradoxalmente, o da fundação dos valores que estabeleceriam o individualismo moderno. É o tempo de reivindicar os direitos das mulheres, os direitos das minorias e, principalmente, golpear as hierarquias – causas, no fundo, individuais. Se hoje a democracia liberal se firma como um regime pouco questionado na Europa, muito se deve àqueles jovens que se diziam trotskistas ou maoistas…”

É o que eu tento mostrar nos dois comentários:

“Talvez o maior símbolo da armadilha em que a esquerda e o movimento estudantil caíram após 1968 seja a greve de 1986. Mais uma vez, estudantes pararam Paris – em proporções ainda maiores que em 1968 – , mas dessa vez a reivindicação era outra.

- O movimento estudantil parece que se tornou maior em quantidade de manifestantes, mas estava protestando contra uma lei que reformaria a universidade. 20 anos depois, se vê os jovens mobilizados para defender o statu quo. Em 68 havia um individualismo coletivista e, 20 anos depois, surge o individualismo narcisista – explica Walter Valdevino, mestre em filosofia pela PUCRS e ex-aluno da École Normale Supérieure.

A guinada comportamental teve reflexos fortes na filosofia política. Na mesma época da greve dos anos 80, dois dos mais representativos filósofos da França atual, Luc Ferry e Alain Renaut, publicaram La Pensée 68 – Essais sur Lanti-humanisme Contemporain, em que colocam em xeque o pensamento das grandes cabeças de 68, entre eles Foucault, Derrida e Bourdieu. Renaut e Ferry os classificam de herdeiros dos três mestres da suspeita: Nietzsche, Marx e Freud. O primeiro dizia que tudo é uma grande manipulação e que é preciso se libertar e virar o super-homem, o segundo suspeitava que as relações de trabalho escravizam o homem e o terceiro desconfiava que todos são dominados pelo inconsciente. Ao denunciar a geração de 68 e suas contradições, Ferry e Renaut acabam decretando o que muitos chamaram de “morte da filosofia” na França.

- A diferença de 68 para o que se tem em filosofia política na França hoje é que agora os autores abandonaram a filosofia propositiva. Abandonaram a idéia da filosofia como dever ser, de propor soluções para o universo, estão apenas pensando sobre o que está acontecendo. – afirma Valdevino.”

No fim do texto, a Profa. Claudia Musa Fay, da História da PUC, explica a guinada conservadora que ocorre anos depois, principalmente, como eu destaquei, a partir da década de 80:

“A guinada conservadora que a classe estudantil pareceu dar na França, segundo Claudia Musa Fay, professora da História da PUCRS, é típica de um grupo que conquistou seus objetivos por meio da luta e agora precisa conservá-los:

- O movimento é conservador porque quem está lá está satisfeito. Como na Revolução Francesa, quando uma camada da sociedade chegou lá, esqueceu o campesinato. Isso se repete. Quando essa juventude que tinha 20 anos hoje em dia tem um certo poder, quer que paguem a sua aposentadoria até o fim e conservem e mantenham as regras. Mas agora também há os imigrantes que ficaram de fora.

No plano do comportamento, as transformações iniciadas em 68 legaram às novas gerações pouca margem de manobra em termos de rebeldia.”

Quem decide o que é preconceito c’est moi

Saturday, September 8th, 2007

Tive a sorte hoje de pegar no início um programa do Jean-Pierre Elkabbach no canal Public Sénat, transmitido ao vivo pela internet.

Os convidados foram os filósofos Pascal David, Emmanuel Faye, François Fedier e Monique Canto-Sperber (diretora da École Normale Supérieure) e o historiador do nazismo Edouard Husson (Université Paris IV). O debate foi sobre a já exaustivamente discutida relação da filosofia de Heidegger com o nazismo.

Em fevereiro postei sobre uma entrevista que o Emmanuel Faye, professor na Université Paris X Nanterre, concedeu ao site de posdcasts da Sorbonne quando foi lançada a versão de bolso do seu clássico livro de 2005: Heidegger, l’introduction du nazisme dans la philosophie: Autour des séminaires inédits de 1933-1935 (LGF, 2007). Os seminários de 33 a 35 são aqueles que ninguém no Brasil leu, mas que todo mundo acha que pode comentar. E o Emmanuel Faye é o autor que, depois do Victor Farias com o Heidegger et le nazisme (1987), mudou o panorama dos estudos heideggenianos, mas que também ninguém leu no Brasil.

Como era de se esperar, o pau rolou entre Faye e François Fedier, organizador do Heidegger à plus forte raison, publicado em resposta ao livro de Faye. Fedier está entre os cinco únicos franceses que acreditam que o Jean Beaufret (1907-1982), detendor por anos do direito de publicação de Heidegger na França, nunca foi negacionista e nem anti-semita. Beaufret é o autor da célebre frase: “a alegada exterminação dos judeus [na Segunda Guerra] tem tanta credibilidade quanto os boatos sobre os horrores cometidos na Bélgica depois da guerra de 1914 [dizia-se que os alemães tinham degolado em série crianças belgas, o que ficou provado ser falso]“. (Heidegger en France. 2. Entretiens, Albin Michel, 2001, p. 97)

O tom do debate foi o de sempre: Faye citando e lendo milhares de passagens nas quais Heidegger prega a exterminação dos judeus, a adoração por Hitler, a fé no nacional-socialismo, que salvaria o mondo da modernidade má, feia e bobona e, sobretudo, os trechos nos quais o alemão usa sua filosofia para fundamentar o nazismo; Fedier, por sua vez, dizendo que o filósofo, por estar sob o regime nazista, “escrevia nas entrelinhas” (o maior filósofo brasileiro, Mangabeira Unger, também deve ter escrito nas entrelinhas que Lula era “avesso ao trabalho e ao estudo e orgulhoso de sua própria ignorância“), que sua filosofia é magnífica demais para se ficar nessas “acusações simplistas de “nazista e anti-semita”. Heideggerianos, em uma doença tipicamente fenomenológica, sempre lidam mal com fatos. Mas essa é a linha geral desse tipo de debate.

O que aniquilou para sempre qualquer autoridade que alguém ainda tinha coragem de atribuir a Fedier para defender o puxa-saco de Hitler foi a resposta à pergunta do apresentador sobre se ele concordava em tornar público o Arquivo Heidegger, até hoje sob controle total de Bigode Júnior, Hermann Heidegger:

Sou a favor, desde que o acesso só seja concedido a pessoas que não têm preconceito, visões pré-concebidas.

Explicação final de TODA a filosofia heideggeriana em uma frase.

Desespero mental fora de controle

Friday, June 8th, 2007

Há algumas semanas, o Hospital Le Raincy-Montfermeil, em Seine-Saint-Denis, umas das eufemisticamente chamadas “zonas sensíveis” da região metropolitana de Paris, decidiu adotar um sistema de vigilância para os bebês nascidos em sua maternidade. O objetivo é evitar desde trocas acidentais até raptos, comuns na unidade.

O sistema adotado foi o de pequenas tornozeleiras – com um peso mínimo e antialérgicas – colocados nas perninhas dos recém-nascidos. Uma central no hospital monitora a localização de cada bebê, e se a tornozeleira é rompida ou o perímetro determinado é ultrapassado, um alarme dispara.

A televisão deu algum destaque para a novidade e apresentou a opinião de alguns médicos. Uns disseram que é uma boa medida; outros, que era algo excessivo e desnecessário. A coisa ficou nisso, mas fiquei só esperando aparecer algum filósofo para ver um enorme e assustador problema ético na coisa toda, a verdadeira instauração da sociedade de controle, a desgraça da humanidade, o inexorável fim de tudo.

E apareceu. Na edição deste mês da revista Philosophie Magazine, quem se prestou a fazer papel de palhaço foi o Olivier Razac, professor de Filosofia na Paris VIII e filhote de Bourdieu, Foucault e seguidor entusiasta de Agamben, aquele que tem medo de ser abduzido por algum celular.

Razac é conhecido por propagar a filosofia do desespero há alguns anos. Em 2000, publicou uma Histoire politique du barbelé: La Prairie, la tranchée, le camp (História política do arame farpado: o campo, a trincheira e o campo de concentração), na qual tenta provar que o princípio fundamental da biopolítica (seja lá o que for essa alucinação) é que o arame farpado que serve para cercar os campos sempre acaba servindo para dominar os homens.

Como não há a versão online do artigo sobre as tornozeleiras, você será obrigado a seguir a minha exposição dos argumentos de Razac.

A artigo começa – como não poderia deixar de ser – comparando as minúsculas tornozeleiras dos bebês com àquelas adotados em várias prisões americanas para monitorar os presos. Não dou uma semana para o Razac começar uma campanha pública para tirarem a tornozeleira da Paris Hilton.

Em seguida, Razac oferece quatro argumentos contra a adoção das tornozeleiras. Exponho cada um e, depois, bato:

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Jürgen Habermas = Putin + Chávez + Chaui + PT

Tuesday, May 29th, 2007

Ia deixar passar, mas não deu. Depois que o MINO CARTA postou sobre o artigo do Habermas no Caderno Mais! de domingo, não tem como ficar quieto.

Evidentemente, não vi nenhuma pessoa da Filosofia no Brasil comentar nada sobre a aberração do artigo (na íntegra abaixo).

Mas é o normal: 80% não leu (Prof. Dra. Chaui ensinou que não se deve ler jornal e/ou “sou magnífico o suficiente para me abster da realidade”); 10% leu e não entendeu; e 10% leu, viu as palavras “Süddeutsche Zeitung”, “Frankfurter Allgemeine”, “infotainment” e as expressões “jugo do lucro” e “formação em massa” e gozou.

Começo pelo Mino:

Diria, de todo modo, que o advento da televisão privada já causou danos notáveis à democracia e no mundo do deus mercado a força do dinheiro torna-se insustentável. É a lei do mais forte que está em vigor, a lei da selva, e ela se estabelece nitidamente na mídia em geral. Exemplo clamoroso é oferecido pelo Brasil, onde a mídia se alinha de um lado só, aquele da oligarquia. E ainda há quem fale em imprensa livre.

Feita a apresentação, vamos ao Habermas, que se sai com as seguintes pérolas introdutórias:

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