Archive for the ‘Mondo acadêmico’ Category

Lattes

Saturday, July 11th, 2009

Na sequência do rolo com o currículo Lattes da Dilma Vana Rousseff, a Folha de S. Paulo deste sábado, na seção Tendências/Debates, pergunta: “É preciso haver maior controle oficial sobre a base de currículos da Plataforma Lattes?

ROGERIO MENEGHINI, coordenador científico do programa SciELO de revistas científicas brasileiras, professor titular aposentado do Instituto de Química da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-presidente da primeira Comissão de Avaliação da USP (1993-1997), diz que NÃO (só para a$$inante$).

ROBERTO ROMANO, filósofo e professor titular de ética e filosofia política na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), autor de, entre outras obras, “Moral e Ciência – A Monstruosidade no Século XVIII”, diz que SIM (só para a$$inante$).

Não precisa ler os artigos. Eu DECRETO para você o vencedor. É Rogerio Meneghini:

A Plataforma Lattes tem hoje mais de 1 milhão de currículos e, diariamente, são feitas dez mil atualizações. Pode-se imaginar o que a cultura brasileira de deixar ao Estado a responsabilidade de verificar a exatidão dos dados significaria em inchamento da máquina burocrática do CNPq e a decorrente subtração de recursos para a pesquisa.”

Ou seja, não vai ter controle oficial coisa nenhuma. Encerrado o debate. Passar bem.

U$P = $enado

Wednesday, June 17th, 2009

[Sarney] tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum.” – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Folha Online)

Lula, como se sabe, reflete a alma do Braziu. Sarney, de fato, não é uma pessoa comum. Ele tem um algo a mais que o diferencia das tais “pessoas comuns”. Por isso ele é o que é e faz o que faz. Ele não é uma pessoa comum e, portanto, pode.

Faz todo o sentido e, por isso mesmo, explica muito sobre o Braziu.

Assim como também faz todo o sentido que o evento responsável por despertar do sono profundo alguns renomados intelectuais uspianos tenha sido o quebra-pau entre sindicalistas e estudantes contra a PM no campus da USP. Faz sentido porque mostra onde estão os interesses e as preocupações desses intelectuais uspianos e mostra, assim, que talvez o debate intelectual no Braziu realmente não passe de uma discussão de boteco sobre quem começou alguma briga, quem apanhou e quem bateu mais.

Um excelente texto sobre o caso da USP foi escrito pelo Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil. Em certo momento, ele aponta o que, para mim, é o mais grotesco nesse debate que conseguiu tirar do fundo do porão a Marilena Chaui e o Antônio Candido:

Alguns daqueles que se manifestaram publicamente sobre o ocorrido para reclamar — com razão — da violência policial foram além, reclamando da própria presença da polícia. Para eles, a Universidade deveria permanecer out of bounds para a polícia. Qualquer assunto relativo à USP deve, em sua visão, ser resolvido intra-muros. Esses oráculos do esquerdismo infanto-juvenil da USP demonstram, com isso, o tamanho de seu elitismo. A Universidade, para eles, é deles..”

Não sei, sinceramente, de que adianta tanta enrolação teórica para se chegar a afirmar coisas como “a universidade não é caso de polícia“, e que “cabe a nós mostrar a eles que a história da USP é outra.”

Bastava ter readaptado o relativismo do filósofo Lula:

A USP, com seus professores, funcionários e alunos, tem história no Brasil suficiente para que não seja tratada como se fosse uma instituição comum.

Simon Schwartzman na Veja

Sunday, May 4th, 2008

Depois de mais de um mês com blog parado e desintegrado devido a uma tentativa frustrada de upgrade do WordPress, nada melhor para retomar do que não escrever nada e apelar para o copy/paste.

As paginas amarelas da Veja desta semana – aquela com o Ronaldinho coberto de PÓ na capa – trazem uma entrevista com o sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE, falando sobre universidades e financiamento para pesquisa. São constatações óbvias para qualquer um com no mínimo dos neurônios, mas no caso do mondo acadêmico brasileiro, nunca é demais repetir. Abaixo, os melhores trechos:

VejaAs pesquisas feitas nas universidades brasileiras contribuem para o desenvolvimento do país?
Schwartzman – Não como deveriam. Em geral, elas ficam restritas ao âmbito acadêmico e não se transformam em produtos ou serviços úteis à sociedade. Não há transferência de conhecimento, nem mesmo quando se trata de uma pesquisa aplicada.

(…)

A experiência mostra que uma instituição só se volta para fora quando precisa buscar recursos. Uma universidade integralmente financiada pelo dinheiro público tem uma tendência à acomodação. Não precisa buscar parceiros e aliados externos.

(…)

O sistema de avaliação dos centros de pesquisa e pós-graduação utilizado pela Capes tem mais de trinta anos. E foi muito importante para o Brasil. Graças a ele, o país tem hoje uma pós-graduação que é de longe a melhor da América Latina. Mas já está ultrapassado. Ele dá muita ênfase aos trabalhos acadêmicos e desestimula qualquer iniciativa prática. Os critérios de qualidade levam em conta o número de artigos publicados, o número de doutores formados e a participação em congressos internacionais. A aplicação da pesquisa não é valorizada. Com isso, os pesquisadores só querem publicar artigos em revistas internacionais e, assim, contar pontos para seu departamento. Depois de o artigo ter sido publicado, eles não se interessam em procurar uma empresa para desenvolver o produto. Consideram mais vantajoso à carreira iniciar outra pesquisa, para publicar um novo artigo.

(…)

O Brasil precisa do melhor conhecimento para lidar com suas questões econômicas e sociais, e não pode abrir mão dos centros de excelência das universidades. Veja só a área da educação, em que o país vive uma tragédia. Temos um sistema educacional que não ensina. As crianças entram na escola e saem semi-analfabetas com 13 ou 14 anos de idade. Faltam estudos para entender o que está acontecendo, quais as saídas, o que funciona e o que não funciona.”

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