<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
		>
<channel>
	<title>Comments on: Controlar qualquer coisa? Evite.</title>
	<atom:link href="http://www.waltervaldevino.com/blog/?feed=rss2&#038;p=331" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Sep 2010 19:55:39 -0400</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
	<item>
		<title>By: Antes que perguntem &#171; Enfim&#8230;</title>
		<link>http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331&#038;cpage=1#comment-1618</link>
		<dc:creator>Antes que perguntem &#171; Enfim&#8230;</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 04:02:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331#comment-1618</guid>
		<description>[...] ainda me ocupo de música e política se meu fone esquerdo estourou e se nada mais importa além de sucesso &amp; dinheiro &#8211; não que algo diferente disso importe nesse [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] ainda me ocupo de música e política se meu fone esquerdo estourou e se nada mais importa além de sucesso &amp; dinheiro &#8211; não que algo diferente disso importe nesse [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Walter</title>
		<link>http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331&#038;cpage=1#comment-1590</link>
		<dc:creator>Walter</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 22:59:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331#comment-1590</guid>
		<description>Nythamar:

Acho que se a mídia se tornar uma espécie de consenso fabricado, temos que pensar duas coisas. Primeiro, que há, de fato, um risco permanente de manipulação nas democracias. É o preço a se pagar por escolher viver em uma sociedade que tenta garantir o máximo de liberdade e igualdade para os cidadãos.

Como escreveu Tocqueville, &quot;nos tempos de igualdade, cada indivíduo é naturalmente isolado; não tem amigos hereditários, não tem classe cujas simpatias lhe estejam garantidas; põem-no facilmente à parte e pisoteiam-no impunemente&quot;. Essas pessoas, muito mais preocupadas com seus interesses particulares e, portanto, afastadas dos assuntos públicos, são muito mais facilmente manipuladas.  A pergunta é: já existiu ou é possível existir uma sociedade em que a maioria da população seja esclarecida o suficiente para não se submeter à manipulação, ou isso não passa de utopia filosófica? Faço a pergunta, é claro, de forma retórica. Acho que é utopia filosófica que - o que é mais grave - sempre pressupõe uma interpretação do que seria uma visão adequada de mundo.

Em segundo lugar, uma democracia razoavelmente estabilizada é o único regime capaz de evitar que manipulações provoquem estragos consideráveis. Mas não acho que essa manipulação será evitada pelo &quot;lado&quot; da autonomia ou, então, do debate deliberativo ou de qualquer outra proposta filosófica que insista na questão da racionalidade como primeira impulsionadora de reação. Em democracias individualistas, tentativas de manipulação e de controle fracassarão quando passarem a afetar o que as pessoas consideram fundamental, ou seja, seus interesses privados e sua liberdade.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nythamar:</p>
<p>Acho que se a mídia se tornar uma espécie de consenso fabricado, temos que pensar duas coisas. Primeiro, que há, de fato, um risco permanente de manipulação nas democracias. É o preço a se pagar por escolher viver em uma sociedade que tenta garantir o máximo de liberdade e igualdade para os cidadãos.</p>
<p>Como escreveu Tocqueville, &#8220;nos tempos de igualdade, cada indivíduo é naturalmente isolado; não tem amigos hereditários, não tem classe cujas simpatias lhe estejam garantidas; põem-no facilmente à parte e pisoteiam-no impunemente&#8221;. Essas pessoas, muito mais preocupadas com seus interesses particulares e, portanto, afastadas dos assuntos públicos, são muito mais facilmente manipuladas.  A pergunta é: já existiu ou é possível existir uma sociedade em que a maioria da população seja esclarecida o suficiente para não se submeter à manipulação, ou isso não passa de utopia filosófica? Faço a pergunta, é claro, de forma retórica. Acho que é utopia filosófica que &#8211; o que é mais grave &#8211; sempre pressupõe uma interpretação do que seria uma visão adequada de mundo.</p>
<p>Em segundo lugar, uma democracia razoavelmente estabilizada é o único regime capaz de evitar que manipulações provoquem estragos consideráveis. Mas não acho que essa manipulação será evitada pelo &#8220;lado&#8221; da autonomia ou, então, do debate deliberativo ou de qualquer outra proposta filosófica que insista na questão da racionalidade como primeira impulsionadora de reação. Em democracias individualistas, tentativas de manipulação e de controle fracassarão quando passarem a afetar o que as pessoas consideram fundamental, ou seja, seus interesses privados e sua liberdade.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: nythamar</title>
		<link>http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331&#038;cpage=1#comment-1581</link>
		<dc:creator>nythamar</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 18:25:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331#comment-1581</guid>
		<description>OK Walter, excelente post --assim como a citação do Tocqueville. Se entendi bem, T quer evitar a primazia da liberdade para não incorrer na tirania da maioria. Mas como fica a questão da igualdade ser usada como ideologia se a própria mídia pode se tornar um consenso fabricado?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>OK Walter, excelente post &#8211;assim como a citação do Tocqueville. Se entendi bem, T quer evitar a primazia da liberdade para não incorrer na tirania da maioria. Mas como fica a questão da igualdade ser usada como ideologia se a própria mídia pode se tornar um consenso fabricado?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Walter</title>
		<link>http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331&#038;cpage=1#comment-1562</link>
		<dc:creator>Walter</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 01:25:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331#comment-1562</guid>
		<description>Nythamar:

Decidi retomar um autor como o Tocqueville para analisar determinados problemas contemporâneos porque acho que ele tem um argumento importante ao ir na contramão da tradição que estabelece a autonomia (e a liberdade, portanto) como fundamento da democracia. 

O ganho dessa escolha é o de não ter que pressupor nenhuma concepção de natureza humana - o que sempre gerou impasses na história da filosofia - nem ter que procurar algum tipo de justificação racional para a própria racionalidade/autonomia.

O que, para muitos, é desconcertante em Tocqueville é que essa visão mínima e negativa dos homens como seres fracos e colocados em situação de igualdade tanto pode abrir espaço para as maiores realizações quanto para as maiores tiranias. Foi a própria escolha desse princípio de igualdade que levou a isso, mas foi uma escolha que as sociedades democráticas fizeram (e ainda fazem, no sentido de buscar a igualdade como um ideal). 

No caso dos regimes democráticos, ele não separa a liberdade da igualdade, mas coloca a igualdade como anterior à liberdade, como condição indispensável para que seja possível criar espaço para a liberdade.

Nesse sentido, no caso chinês, já há uma clara violação do princípio da igualdade imediatamente a partir do momento em que um determinado grupo de homens difere dos demais, colocando-se em uma posição superior, ao tentar determinar o que pode e o que não pode ser lido, acessado e registrado na internet - violando, assim, liberdades individuais.

O que é mais interessante ainda, nesse caso chinês, é que a globalização amplia a questão da igualdade. Não se trata somente da desigualdade (que viola liberdades fundamentais) estabelecida por esse pequeno grupo que tenta controlar as opiniões, mas do fato de que agora é possível que um grande número de pessoas compare a situação do país com a do resto do mundo e perceba as diferenças.

Tem um trecho do Tocqueville que eu havia selecionado e que se aplica perfeitamente ao caso:

“Nos tempos de igualdade, cada indivíduo é naturalmente isolado; não tem amigos hereditários, não tem classe cujas simpatias lhe estejam garantidas; põem-no facilmente à parte e pisoteiam-no impunemente. Em nossos dias, um cidadão oprimido só tem um meio de se defender: dirigir-se à nação inteira e, se ela lhe for surda, ao gênero humano. E só há um meio para fazê-lo, a imprensa. Assim, a liberdade de imprensa é infinitamente mais preciosa nas nações democráticas do que em todas as outras; só ela cura a maioria dos males que a igualdade pode produzir. A igualdade tira de cada indivíduo o apoio de seus próximos; mas a imprensa lhe permite chamar em seu socorro todos os seus concidadãos e todos os seus semelhantes. A tipografia apressou os progressos da igualdade e é um de seus melhores corretivos. Penso que os homens que vivem nas aristocracias podem, a rigor, prescindir da liberdade de imprensa; mas os que vivem nos países democráticos não o podem fazer. Para garantir a independência pessoal destes, não confio nas grandes assembleias políticas, nas prerrogativas parlamentares, na proclamação da soberania do povo. Todas essas coisas se conciliam até certo ponto com a servidão individual; mas essa servidão não seria completa com a imprensa livre. A imprensa é, por excelência, o instrumento democráticos da liberdade”. (A Democracia na América, vol II. Martins Fontes, p. 398).

Um abraço!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nythamar:</p>
<p>Decidi retomar um autor como o Tocqueville para analisar determinados problemas contemporâneos porque acho que ele tem um argumento importante ao ir na contramão da tradição que estabelece a autonomia (e a liberdade, portanto) como fundamento da democracia. </p>
<p>O ganho dessa escolha é o de não ter que pressupor nenhuma concepção de natureza humana &#8211; o que sempre gerou impasses na história da filosofia &#8211; nem ter que procurar algum tipo de justificação racional para a própria racionalidade/autonomia.</p>
<p>O que, para muitos, é desconcertante em Tocqueville é que essa visão mínima e negativa dos homens como seres fracos e colocados em situação de igualdade tanto pode abrir espaço para as maiores realizações quanto para as maiores tiranias. Foi a própria escolha desse princípio de igualdade que levou a isso, mas foi uma escolha que as sociedades democráticas fizeram (e ainda fazem, no sentido de buscar a igualdade como um ideal). </p>
<p>No caso dos regimes democráticos, ele não separa a liberdade da igualdade, mas coloca a igualdade como anterior à liberdade, como condição indispensável para que seja possível criar espaço para a liberdade.</p>
<p>Nesse sentido, no caso chinês, já há uma clara violação do princípio da igualdade imediatamente a partir do momento em que um determinado grupo de homens difere dos demais, colocando-se em uma posição superior, ao tentar determinar o que pode e o que não pode ser lido, acessado e registrado na internet &#8211; violando, assim, liberdades individuais.</p>
<p>O que é mais interessante ainda, nesse caso chinês, é que a globalização amplia a questão da igualdade. Não se trata somente da desigualdade (que viola liberdades fundamentais) estabelecida por esse pequeno grupo que tenta controlar as opiniões, mas do fato de que agora é possível que um grande número de pessoas compare a situação do país com a do resto do mundo e perceba as diferenças.</p>
<p>Tem um trecho do Tocqueville que eu havia selecionado e que se aplica perfeitamente ao caso:</p>
<p>“Nos tempos de igualdade, cada indivíduo é naturalmente isolado; não tem amigos hereditários, não tem classe cujas simpatias lhe estejam garantidas; põem-no facilmente à parte e pisoteiam-no impunemente. Em nossos dias, um cidadão oprimido só tem um meio de se defender: dirigir-se à nação inteira e, se ela lhe for surda, ao gênero humano. E só há um meio para fazê-lo, a imprensa. Assim, a liberdade de imprensa é infinitamente mais preciosa nas nações democráticas do que em todas as outras; só ela cura a maioria dos males que a igualdade pode produzir. A igualdade tira de cada indivíduo o apoio de seus próximos; mas a imprensa lhe permite chamar em seu socorro todos os seus concidadãos e todos os seus semelhantes. A tipografia apressou os progressos da igualdade e é um de seus melhores corretivos. Penso que os homens que vivem nas aristocracias podem, a rigor, prescindir da liberdade de imprensa; mas os que vivem nos países democráticos não o podem fazer. Para garantir a independência pessoal destes, não confio nas grandes assembleias políticas, nas prerrogativas parlamentares, na proclamação da soberania do povo. Todas essas coisas se conciliam até certo ponto com a servidão individual; mas essa servidão não seria completa com a imprensa livre. A imprensa é, por excelência, o instrumento democráticos da liberdade”. (A Democracia na América, vol II. Martins Fontes, p. 398).</p>
<p>Um abraço!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: nythamar</title>
		<link>http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331&#038;cpage=1#comment-1561</link>
		<dc:creator>nythamar</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 00:31:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.waltervaldevino.com/blog/?p=331#comment-1561</guid>
		<description>Oi Walter! Achei bem legal esse teu último post... Eu costumo ler os teus posts neste blog e naqueles outros, mas sempre acabo sem tempo de postar algum comment. Acho que fazes um importante gancho teórico entre internet e democratização, mesmo que esta se dê aos trancos e barrancos e a despeito de tantas contradições no (des)governo chinês, mas parece que as liberdades individuais --até por razões desvinculadas de cidadania ou consciência democráticas-- acabam prevalecendo sobre os imperativos sistêmicos de um regime autoritário. Como será que o Tocqueville escreveria um texto sobre a &quot;democracia na China&quot; --parece que a sua tese da primazia da igualdade sobre a liberdade ficaria bem comprometida --ou não???
Salut,
nythamar</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Walter! Achei bem legal esse teu último post&#8230; Eu costumo ler os teus posts neste blog e naqueles outros, mas sempre acabo sem tempo de postar algum comment. Acho que fazes um importante gancho teórico entre internet e democratização, mesmo que esta se dê aos trancos e barrancos e a despeito de tantas contradições no (des)governo chinês, mas parece que as liberdades individuais &#8211;até por razões desvinculadas de cidadania ou consciência democráticas&#8211; acabam prevalecendo sobre os imperativos sistêmicos de um regime autoritário. Como será que o Tocqueville escreveria um texto sobre a &#8220;democracia na China&#8221; &#8211;parece que a sua tese da primazia da igualdade sobre a liberdade ficaria bem comprometida &#8211;ou não???<br />
Salut,<br />
nythamar</p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
</rss>
