Archive for October, 2006

Chichi não disiste nunca

Tuesday, October 31st, 2006

O fato político desta terça-feira foi a longa entrevista que o presidente Jacques Chirac deu ao jornal Le Figaro. Parece que é um fato meio inédito ele dar entrevistas desse tamanho para jornais.

O que se nota de cara é a capacidade mundial de qualquer político em enrolar, enrolar e não dizer nada. Quase dois terços da entrevista são de não-respostas e evasivas. O discurso político, em qualquer lugar que se vá, cada vez mais segue a receita do “precisamos agir”, “eficácia”, “eficiência”, “obsessão com a criação de empregos”, blablablá.

O terço restante que se aproveita diz respeito aos comentários sobre a divulgação da taxa de desemprego na França. O desemprego caiu 10% em um ano, atingindo um total de 8,8% de desempregados no mês de setembro. É a taxa mais baixa desde 2001. Obviamente Chirac aproveitou para faturar em cima do fato, prometendo baixar a taxa para menos de 8% até o final de seu mandato, em maio de 2007. Quando perguntado se apresentaria seu nome para ser novamente candidato à Presidência, partiu para o embromation:

Minha responsabilidade como presidente da República é dar prioridade à ação. A França não pode se permitir perder seis meses a cada cinco anos. Me pronunciarei quando chegar o momento, ou seja, no primeiro trimestre de 2007.

Muda o país, muda a língua, muda tudo, mas a essência da política continua a mesma. A diferença em relação ao Brasil é que na França ainda é possível discutir algumas questões fundamentais para o país. No Brasil, a pasmaceira impede qualquer debate relevante.

Horário de inverno

Monday, October 30th, 2006

Acordei hoje cedo e saí para resolver umas coisas. Peguei o metrô e fui procurar uma loja. O movimento na rua estava acima da média para aquele horário. Achei a loja, mas, como muitas coisas aqui, não havia expediente na segunda-feira de manhã. País comunista é assim: ou começa a funcionar umas 11hs da manhã (todos os dias, inverno ou verão) e/ou tem a vagabundagem francesa das segundas-feiras com expediente só à tarde.
Desiludido, peguei o metrô de volta. Só então me dei conta de que todos os relógios estavam 1 hora “atrasados” em relação ao relógio do meu celular. Bizarro.

Quando voltei, fui descobrir com a faxineira portuguesa aqui da Casa da Dinamarca que entramos no “horário de inverno”.

Ontem assisti QUATRO notíciários pela internet, li TRÊS jornais franceses e ouvi rádio UMA HORA antes de dormir. NENHUMA informação sobre a mudança do horário. No restaurante universitário, agora há pouco, tinha um cartaz dizendo que o horário tinha mudado exatamente às 3h desta madrugada e que era preciso atrasar os relógios 1 hora. Vai entender…

Caça aos petistas parisienses

Sunday, October 29th, 2006

Está lá no Nova Corja um resumo da minha jornada de hoje em busca da festa do PT em Paris.

Baguette atômico

Sunday, October 29th, 2006

Rússia e França batem EUA em venda de armas a países em desenvolvimento - Os Estados Unidos deram lugar a Rússia e França no posto de principal fornecedor de armas a países em desenvolvimento.

A Rússia fechou o ano com um valor de US$ 7 bilhões na Ásia, África e América Latina, um aumento considerável em relação aos US$ 5,4 bilhões de 2004, diz o informe.

A França vem atrás com US$ 6,3 bilhões em 2005, contra “apenas” US$ 1 bilhão em 2004.” (Folha Online)

Começou a demência

Saturday, October 28th, 2006

Le Pen ameaça fazer “um terremoto político” na França - O líder ultradireitista francês Jean-Marie Le Pen ameaçou fazer “um terremoto político” caso tenham sucesso as pressões sobre políticos com cargo franceses para que ele não consiga as assinaturas necessárias para concorrer às eleições presidenciais do próximo ano.” (Folha Online)

Tecnologia francesa

Friday, October 27th, 2006

Ontem 900 pessoas ficaram paradas num trem TGV (Train à grande vitesse – trem de grande velocidade – 300km/h), o orgulho do transporte nacional francês. O trem, que ia de Perpignan para Marseille, teve uma pane elétrica e as pessoas ficaram 6 horas paradas no escuro e sem refrigeração. Saíram às 13hs de Perpignam e chegariam 20:25 em Marseille, mas só 1h da manhã é que conseguiram chegar em Marne-la-Vallée - de ônibus, obviamente.

Os casos de pane estão se tornando freqüentes nos TGVs, que já têm 25 anos de idade. Além da podridão dos trens, há também o fator “sou fresco com temperatura”. As panes são comuns no frio e no calor extremos. Em dezembro do ano passado, quando fez muito frio, 2000 pessoas ficaram na “função TGV” devido às panes gerais no sistema elétrico.

Brésil exotique

Friday, October 27th, 2006

A TV5 deu destaque, no noticiário de ontem, às eleições presidenciais do Brasil. A matéria foi dividida em duas partes. Na primeira, GeraldÔ Alckmiiin aparece ao lado de FHC (praticamente um francês) no comício de encerramento da campanha. A emissora diz que Alckmin se apresentou como o defensor da ética. isso, nenhuma referência ao banditismo petista que levou Alckmin a adotar seu bom-mocismo fracassado. Quando mostram o último comício de Lula, dizem que Lulapermaneceu fiel ao seu eleitorado de base, apresentando-se como o defensor dos pobres”.

A pobreza exotique dá o tom da segunda parte da matéria, mostrando bastante gente ferrada e o Bolsa-Família como um programa de grande sucesso para reduzir a pobreza. A matéria é feita em Sepetiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro, onde 1500 casas populares foram construídas (supõe-se que pelo Governo Federal) para tirar as pessoas dos barracos.

Um casal pobre é apresentado, um pedreiro e sua esposa desempregada. Eles recebem R$ 75 (“um pouco mais de 30 euros”) do Bolsa Família. Rita Campos votará em Lula certamente: “Com a Bolsa-Família, a gente tem melhores condições de alimentação, tem leite para o meu filho, minha filha vai à escola, dá para comprar uma roupinha. Ajudou muito a nossa família.

Segundo a TV5, 11 milhões de lares são beneficiados pelo programa, totalizando 50 milhões de pessoas, “todas vivendo oficialmente na pobreza”. Supondo que eles não quiseram dizer que o Bolsa Família atende a TODOS os pobres do Brasil, a conclusão pode ser a de que - no mínimo, com otimismo - o Brasil tem uns 60 milhões de pobres. Cada um chuta um número. vi variações de 20 a 70 milhões.  

Quem continua explicando a popularidade de Lula entre os mais pobres é Vera Conceição, representante da comunidade de Sepetiba. A vantagem do programa é que as crianças são obrigadas a ir à escola, diz ela, onde fazem três refeições por dia. Em casa, não teriam o que comer: “o Bolsa Família foi uma coisa ótima na vida do brasileiro.

Os franceses até tentam levantar os aspectos negativos do programa (não incentiva as pessoas a procurarem emprego e mantém grande parte da população na economia informal), mas concluem dizendo quea integração gerada pela Bolsa Família é importante” (imagem de crianças jogando bola na rua) e quea pobreza no Brasil atingiu seu nível mais baixo em 25 anos”.

Vendo essa matériapara entender porque os franceses mais ou menos a par da situação do Brasil com quem tenho conversado sabem dizer quesim, houve segundo turno e, sim, Lula ajuda os pobres”. Sobre as maracutaias do governo Lula, nada.

Datas definidas

Wednesday, October 25th, 2006

Definidas ontem as datas exatas para as eleições presidenciais da França de 2007:

Primeirto turno: 22 de abril
Segundo turno: 6 de maio

O mandato do Chirac acaba dia 17 de maio.

C e v a

Tuesday, October 24th, 2006

Agir en brûlant l’véhicule à Sarko*

Monday, October 23rd, 2006

Nesta sexta-feira, 27 de outubro, faz um ano que dois jovens, Zyed Benna e Bouna Traoré, morreram eletrocutados quando tentavam se esconder em um transformador depois de fugir de uma perseguição policial. Isso foi no bairro de Clichy-sous-Bois, em Seine-Saint-Denis, distrito ao norte de Paris. O resultado foram três semanas de quebra-quebra generalizado nos “banlieues” de Paris e de diversas outras cidades da França. Um número impressionante de carros e ônibus foi queimado.

Nos últimos dias ocorreram agressões a policiais em Corbeil, Mureaux e Épinay-sur-Seine. Ontem, queimaram um ônibus e três carros em Grigny. O modo de proceder tem sido semelhante nesses últimos casos: há uma chamada policial e/ou algum veículo é queimado. A polícia e os bombeiros (em caso de incêndio) são chamados e, quando chegam ao local, são atacados por 30, às vezes 50 pessoas, na maioria adolescentes, com pedras e paus. Se fosse no Brasil, já teria morrido muita gente, mas aqui a polícia (incrivelmente) se controla e atira para o alto, o que não impediu, obviamente, que um policial saísse gravemente ferido no rosto de um desses ataques, em Épinay-sur-Seine.

Por enquanto, os últimos casos estão concentrados no distrito de Seine-Saint-Denis, o mais problemático. Desde o início do ano foram mais de 50.000 ocorrências policiais, mas todas de pequena escala se comparadas aos protestos do ano passado. Uma panela de pressão, portanto, prestes a explodir. O medo do governo, agora, é que haja uma intensificação dos conflitos. Vários fatores podem contribuir: 1 ano da morte dos jovens, o fim do ramadã e a situação política que começa a ganhar contornos mais nítidos para a disputa presidencial em 2007. Nicolas Sarkozy, pré-candidato à presidência e atual Ministro do Interior, adotou medidas enérgicas (como o toque de recolher) para pôr fim aos conflitos do ano passado. Nada poderia ser pior para Sarkozy do que o retorno dos conflitos, mostrando que as ações do governo não adiantaram muita coisa.

E a opinião geral é de que pouca coisa foi feita. A única modificação evidente foi o aumento da força policial. Algumas poucas medidas sociais foram adotadas, mas o resultado é obviamente insatisfatório em se tratando de regiões com ausência quase completa do Estado (delegacias, hospitais, escolas) e de transporte. Ao contrário, algumas das medidas, como a criação de “espaços de juventude”, têm sido vistas como paliativas pelos jovens, na quase totalidade descendentes de imigrantes árabes e africanos, sobretudo da última onda de imigração.

A situação é de tensão. Parece não haver uma verdadeira integração entre os jovens dos diversos bairros para combinar as ações. A mídia, portanto, é acusada de ser a responsável pela propagação da violência. Análises do governo mostram que provavelmente haverá conflitos, mas em menor escala do que no ano passado. O problema é o pessoal do subúrbio ficar sabendo disso e tentar contrariar o Sarkô.

* “Fallait p’têtre agir en brûlant l’véhicule à Sarko” (Talvez fosse melhor queimar o carro do Sarkô) - trecho da música Ouais ouais, do rapper Booba.

Domingão no RER

Sunday, October 22nd, 2006

Fotos

Sunday, October 22nd, 2006

Vou colocar o grosso das fotos que tirar aqui na França no Flickr. O link vai ficar aqui ali ao lado, no blogroll.

Opa

Sunday, October 22nd, 2006

SpermDirect

Saturday, October 21st, 2006

Está causando tumulto aqui na Europa um novo serviço de TELE-ENTREGA DE ESPERMA, criado na Inglaterra. A empresa SpermDirect oferece o serviço de intermediação, organizando o cadastro de doadores e receptoras de modo que cada um more a menos de 2 horas de distância um do outro (em 3 horas os espermatozóides começam a se deteriorar).

Por £450, com direito a escolha de características físicas dos doadores, as mulheres de Londres podem receber os espermas em casa, aplicá-los com uma espécie de injeção e voilà, un bébé.

Embora os doadores tenham que passar por uma análise prévia - o mais próximo possível da doação -, também há um alto grau de CONFIANÇA:

You will be required to confirm on each occasion in writing that you have not since your last medical engaged in any activity that would possibly give rise to a transmissible disease through your sperm and that you have abstained from intercourse, masturbation, alcohol and narcotics use for a minimum of 72 hours before the donation.

De um jeito ou de outro, os testes completos para verificar se os espermatozóides não irão transmitir alguma doença exigem uma quarentena de pelo menos 6 meses. Se ninguém vai detectar nada, que façam tele-entrega mesmo.

RER

Saturday, October 21st, 2006

Daqui da Cité Universitaire até a École Normale Supérieure são 3 estações de RER (uns 10 minutos), o trem acima. Trata-se de um trem mesmo, não de um metrô. São 5 linhas de RER que cortam Paris e saem do perímetro urbano. A cidade é dividida em 5 zonas; na zona 1 está o “principal”.

Por módicos 52,50 euros compra-se a Carte Orange, que dá direito a passe livre durante um mês inteiro em todos os meios de transporte da(s) zona(s) que se escolher (metrô, RER e ônibus).