Londres

Vamos lá, finalmente, ao post sobre a semana do reveillon que a Fernanda (agora com blog) e eu passamos em Londres…

Experiência e tanto esses setes dias. Duas cidades bastante diferentes, apesar da pouca distância que as separa. Fomos de Eurostar, o Eurotrem, que passa por baixo do Canal da Mancha. Dura menos de 20 minutos a travessia por baixo do mar e a viagem toda leva cerca de 2 horas e meia. Embora um pouco mais caro do que de avião, escolhemos o Eurostar pela facilidade de descer na estação de Waterloo, no meio de Londres, e também por um certo receio de pandemônio aéreo. Nos demos bem porque a desgraceira causada pelo mau tempo e piorada pela lotação de fato ocorreu em vários países, com reagendamento em alguns vôos para até cerca de 5 dias depois. Os brasileiros estão reclamando à toa.

As fotos, como já postei abaixo, estão aqui e coloco links para algumas delas abaixo.

Agora, vou por itens falando sobre os aspectos mais interessantes da viagem.
A cidade – Londres é completamente diferente de Paris. Por ser mais nova e ter passado por vários grandes incêndios, restou pouca coisa realmente antiga. O resultado, portanto, é uma mistura de construções do século XIX com áreas totalmente modernas e futurísticas. É um contraste interessante. Essas construções mais antigas em geral seguem o mesmo padrão do que no Brasil se chama “tijolo à vista”, o que dá um aspecto marrom para a cidade. Também ao contrário de Paris, Londres tem enormes bairros residenciais, um pouco no estilo americano, com casas todas iguais. O hostel em que ficamos era em um desses bairros, o Willesden Green, no limite da zona 2 com a 3.

Transporte – Antes de ir pra Londres, eu achava o transporte em Paris razoável. Os trens de algumas linhas estão caindo aos pedaços e às vezes ocorrem problemas em algumas linhas do metrô e do RER, o trem propriamente dito. Mas, depois de Londres, nunca mais vou reclamar de nada aqui em Paris. O transporte londrino é um lixo completo.

Paris tem 14 linhas de metrô, 5 de RER e mais uma linha de tram, o bonde (20 linhas, portanto). Em Londres, uma cidade sabe-se lá quão maior do que Paris, são 14 linhas ao total. Poucas linhas têm trens novos (que são realmente bons), o resto está caindo aos pedaços. A diferença numérica já explica muita coisa. O transporte em Londres, portanto, é fortemente baseado em ônibus, método obviamente mais lendo, poluidor e “engarrafante”. São incontáveis linhas de ônibus e é praticamente impossível, para quem não conhece a cidade há um bom tempo, se achar. O sistema de consulta por linhas no site da Prefeitura é todo feito por mapas em PDF. É horrendo e, devido à própria quantidade de linhas, não é possível mostrar onde linhas de regiões diferentes se cruzam.

Em troca dessa porcaria de transporte, paga-se terrivelmente caro. Comprei um passe semanal quando cheguei (22 £, enquanto em Paris são 16 €), que durou até o penúltimo dia. No último dia, recarreguei meu cartão com um passe diário (4,60 £). Fomos até Greenwich e, na volta, por um motivo obscuro que até agora não consegui entender, meu cartão foi bloqueado. Supostamente deixei de validá-lo na entrada de alguma estação. Mas a Fernanda estava comigo e com o dela não aconteceu nada, supostamente porque era mensal. Fui até um guichê para saber o que tinha acontecido. A gorda inglesa falou que não tinha como resolver o problema e que era preciso eu ligar para o número que estava atrás do cartão. Só faltou mandar eu escrever uma carta pro Tony Blair. Obviamente não liguei e resolvi comprar um ticket unitário para voltar. A única opção disponível era um ticket de 4 £. Comprei e voltamos. Na saída da estação coloquei o ticket na roleta para sair e ele não foi devolvido. Eu estava com a ilusão de que tinha comprado um ticket diário ou pelo menos algo que me permitisse fazer mais de UMA viagem. Ilusão completa. 4 £ é o preço do ticket unitário em Londres. Na verdade, é praticamente uma multa por não usar algum tipo de ticket diário ou mensal. Em Paris, compra-se sem problemas o ticket unitário por 1,40 €. Como tinha que pegar mais um metrô ainda para ir embora, desembolsei mais 4 £, totalizando 34,60 £ por uma semana de transporte. Completa demência.

Povo – Gente feia e gorda. Apesar de blasés, os franceses, ao contrário da crença difundida, são mil vezes mais limpinhos e engomadinhos.

Comida – É difícil dizer se a Inglaterra é os EUA-versão-Europa ou se os EUA são a Inglaterra levada ao extremo. O excesso adiposo dos ingleses obviamente é conseqüência da quantidade de porcaria ingerida. Mcdonald’s, Subway, KFC, Burger King, eles estão por todos os lados e te perseguem a cada esquina. Fora essas redes tradicionais, a profusão de pequenos fast foods especializados em fish and chips (peixe empanado com batata-frita, prato nacional) e chicken wings é impressionante. O preço é baixo e a quantidade de óleo é assustadora.

Kebab (ou shawarma, ou gyros, ou simplesmente sanduíche grego), o alimento universal – A versão londrina é bastante diferente da parisiense. Aqui, o pão pita é organizado em forma de cone, dentro da qual são socados tomate, alface, a carne e as batatas fritas. Em Londres, a pita, mais fina, é disposta em forma de cilindro. Dentro, essencialmente o mesmo conteúdo (com as batatas colocadas num prato, separadamente), mas a salada é mais diversificada, contendo também azeitonas, o que torna tudo bem mais interessante. O tempero também é diferente. Não consigo saber qual é o melhor. Se fosse possível, comeria os dois – ao mesmo tempo.

Supermercados – Londres é o paraíso capitalista do consumo. Em Paris só existem mini-mercados (ou, no máximo, mercados médios) e praticamente todos fecham às 20:30 da noite. Mesmo assim, eu estava impressionado com a variedade de produtos por aqui, em relação ao Brasil. São milhares de opções de temperos, comidas congeladas, vinhos, cerveja. Agora, depois de Londres, acho Paris um lixo. Nem vou comentar sobre o Brasil.

Preços – Tirando o transporte, Londres é muito mais barata do que Paris. Em valores absolutos E fazendo a conversão. Uma baguette em Londres custa 0,40 £, ou seja, uns 0,65 €. Em Paris, está 0,70 €. Achamos poucas coisas que, mesmo convertendo, eram mais caras em Londres do que em Paris. Gastamos muito menos com comida em Londres do que se gasta aqui em Paris. E eu que achava que Paris era barata… O que isso quer dizer, portanto? Que existem incontáveis coisas em Londres que, convertendo de libras para reais, ainda assim são mais baratas em Londres. Várias coisas de comer, roupas, bolsas, mochilas, produtos higiênicos e de beleza são alguns exemplos. É assustador perceber assim o custo de vida brasileiro.

Museus – Praticamente todos de graça. Em Paris, paga-se caro. Fomos no British Museum (cuja biblioteca é impressionante), na National Gallery, e no Tate Britain. São bons e organizados tematicamente.

É isso. Ainda tinha que escrever mais sobre toda a questão cosmopolita e capitalista de Londres, mas vai ter que ficar para outro post.

16 Responses to “Londres”

  1. Rafael Lima says:

    Não conheço Londres, mas acho que tu endoidou no papo do custo de vida — até os londrinos que conheço reconhecem que Londres é a cidade mais cara. Talvez tu esteja comparando custos dentro da amostragem muito particular do estudante vindo de fora, mas se for pela média, aposto meus botões que Londres é mais cara.
    O próprio lance dos trens de metrô que tu conta antes confirmam minha hipótese. 4 libras por uma passagem.

  2. Walter says:

    Eu também achava isso. Além de transporte, o que é talvez um pouquinho mais caro em Londres do que Paris – e, como em toda cidade grande demais -, dependendo da região onde se mora, é o aluguel. Paga-se cerca de 100 libras por semana para alugar um quarto para 1 pessoa na zona 2. Portanto, 400 libras por mês. Em Paris, custa cerca de 500 euros, 600 euros para alugar a mesma coisa na zona 1. Em valor absoluto, é mais barato. Convertendo de libras para euros, fica um pouquinho mais caro em Londres, ou a mesma coisa até.

    O que faz a diferença são os valores absolutos, ou seja, o que é possível fazer, por exemplo, com 1000 reais no Brasil, 1000 euros na França e 1000 libras na Inglaterra. Qualquer porcaria de compra no supermercado no Brasil sai 50, 60 reais. Com 60 libras, tu compra O SUPERMERCADO INTEIRO em Londres. Basta ver o pão baguette por 0,40 centavos ou, pensando na França, um pacote de massa Barilla por 0,99 euro – convertendo para reais, tá mais barato do que no Brasil. A distorção, é claro, acontece quando se pensa em grandes cidades. Se for pegar cidades menores, onde aluguel e transporte é mais barato, aí não tem nem comparação. Brasil é o país mais caro do universo.

    Uma amiga que trabalha em Londres há alguns anos, quando volta para Porto Alegre, fica escandalizada com o custo de vida, porque fica convertendo o tempo inteiro e comprando coisas que, EM LIBRAS, são mais caras do que Londres. E ela também acha o resto da Europa muito mais caro do que a Inglaterra.

  3. Walter says:

    Ah, sim: um pacote de 500 gramas de massa grano duro em Londre tá 0,69 libras, ou seja, cerca de 2,80 reais.

  4. druwll says:

    Tu sabe quanto ganha em média cada morador de cada uma das cidades? Acho que seria um dos dados mais importantes pra entender o funcionamento da economia local e blablabla.

  5. Walter says:

    O salário médio de uma pessoa formada em Londres, no início de carreira, é de 2000 libras. Isso em geral, para trabalhos em escritório (venda, relações públicas, relações internacionais, represetação comercial, esse tipo de coisa). Depende da profissão. Gente que trabalha com informática ganha um pouco mais.

    Em Paris, o salário mínimo para as malditas 35hs semanais é de 1200 e poucos euros, bruto. Tem mais os impostos que comem uma boa parte disso. Mas alguém formado, em início de carreira, também deve ganhar cerca de 2000.

  6. Estranha tua experiência com o transporte de Londres. Fora o preço, a District Line e uma que outra ameaça de bomba, nunca tive do que reclamar. E a linha que faz Willesden Green é a Jubilee, a mais nova e rápida, que acho excelente. Quanto aos ônibus, entendo como uma opção mais barata de transporte, apenas, visto que a rede do metrô cobre 95% do que a de ônibus cobre.

  7. Rafael Lima says:

    Tou quase convencido. Você fez a comparação certa, entre valores absolutos, que era exatamente o que eu queria saber. Para ficar completa, só adicionando a ela o salário médio e o quanto o imposto morde na fonte. Dentro desse contexto é que se chega inescapavelmente à conclusão que o Brasil é o país mais caro do mundo.
    Aqui na Austrália, onde estou, mesmo convertendo de dólar australiano para real, eu continuaria comprando roupas, carros, gasolina, eletrodmésticos e eletroeletrônicos mais baratos do que no Brasil. Comida é mais caro, sobretudo legumes e frutas.
    De qualquer maneira, se tu considerar que a maior parte do custo de vida vem do aluguel (de novo, meu caso aqui na Austrália), então Londres volta a ser a mais cara…

  8. Walter says:

    Gustavo: é, como eu escrevi no post, a Jubilee Line tem esse novo trem que, sem dúvida, é excelente; um verdadeiro TUBINHO. Mas é a Jubilee e mais uma outra e só. O resto está tudo caindo aos pedaços, incrivelmente mais sujo do que os metrô (conhecidamente sujos) de Paris. As pessoas deixam pacotes de fast food atrás dos bancos, por deus.

    Rafael: a diferença fatal é ver pessoas trabalhando em Londres por alguns anos no que no Brasil se considera sub-empregos e depois comprando apês e vivendo de renda pro resto da vida no Brasil.

    Ah, preço de outras duas coisas que esqueci de dizer: um AUDI A3, ano 2004, tá 6 mil libras em Londres. E o preço da carne, convertendo de libras para reais, é o mesmo que no Brasil. Claro, a qualidade certamente não é a mesma, mas o preço é.

  9. Rafael Lima says:

    Por esse lado da “diferença fatal”, nem existe termo de comparação entre quem ganha em dólares, euros ou especialmente libras. O que fica claro para mim, e que eu gostaria de destacar, é que, no Brasil, ainda que os salários sejam pagos em real (nem vou entrar no mérito de serem achatados ou não), muitos dos preços são, de fato, cotados em dólar, o que faz do país realmente o lugar mais caro do mundo.

  10. Maíra says:

    Eu não conheço o metrô de Paris, mas achei o de Londres excelente. Nunca tive um problema (eu passei 40 dias lá). Sobre o lixo nos trens, eu só vi muito lixo jogado nas estações, geralmente na escadas rolantes. Isso acontece porque eles não deixam cestos de lixo nesses lugares, por risco de esconderem bombas. Era comum alguma estação de metrô estar fechada com alguma ameaça (isso em 1998).

    Sobre essa comparação de custo, não dá pra ter certeza de nada pelo que você descreveu – que cidade é mais cara ou não. Sobre o macarrão, por exemplo, é claro que o trigo é mais barato na Europa, aqui nós temos que importar a maioria do trigo (por uma questão climática).

  11. Walter says:

    Não sei como não deu para ter uma idéia de preço. Dei vinte mil exemplos em valores absolutos e convertendo.

    É só perguntar pra qualquer brasileiro que morou em Londres um tempo e depois voltou pro Brasil pra ver se ele não acha um absurdo de caro as coisas no Brasil. É assim com todo mundo. Diferença brutal de custo de vida.

    É exatamente o que vai acontecer quando eu voltar pro Brasil e for comprar um pack de cerveja por um valor mais caro do que pago aqui em euros (fazendo a conversão).

  12. edie bandeira says:

    Ola a todos, vivo na inglaterra a 5 anos e conheco bem londres, quando vou ao Brasil nao faco outra coisa a nao ser comparar precos, concluzao, na minha opiniao moradia e transporte arebenta quanquer um aqui em londres, mais o resto e tudo mais barato que Brasil, o lado bom e que aqui qualquer lixo de trabalho lhe da o direito de morar rasoavelmente bem, ir a restaurantes, viajar, comprar BMW e tudo mais, no Brasil da vontade de chorar quando se lembra dos salarios, que Deus ajude que um dia isso melhore pois brasil e lindo mais so se vive bem quem tem dinheiro, isso nao da pra negar.

  13. Emerson says:

    Tipow to querendo ir para Londres no final deste ano ou no começo de 2008, mais nam sei como vou me arranjar la. O pior pesadelo meu é em relação a empregos, aqui no brasil eu trabalho a 7 anos em churrascarias, então se eu chegar la sera q encontrarei algo facil nesse ramo? Estou fazendo um crso de Ingles e ate o final desse ano eu termino o book four na wizard. Eu gostaria de alguns conselhos sobre oq fazer apartir do momento q eu estiver em Londres.
    Obrigado e agradeço desde ja se alguem puder me ajudar!

  14. Ricardo People says:

    Voce se lembra quanto custou em Euros o Ticket do Eurotrem?
    Voce comprou na bilheteria ou na internet?
    Grato
    Ricardo Horta

  15. [...] aqui a viagem pra Londres. Fotos ali do [...]

  16. karina says:

    VOCÊ ESTÁ COMPLETAMENTE CERTA! OS LONDRINOS ACHAM QUE O BRASIL É BARATO PORQUE ELES VEM COM LIBRAS, E QUANDO CONVERTEM PRA REAIS ELES TÊM 3X MAIS DINHEIRO, PORTANTO, TUDO PRA ELES AQUI FICA BARATO! TAMBÉM CHEGUEI DE LONDRES A POUCO TEMPO, E ME ASSUSTEI COMO É BARATO COMER, BEBER, SE VESTIR… A ÚNICA COISA QUE ACHEI CARA TB FOI O TREM, ATÉ MESMO COMPRAR UM CARRO É BARATÍSSIMOOOOO

Leave a Reply