
Paris, 8:00, 07/02/07

Barcelona, 15:00, 07/02/07
Primeiramente, as fotos: a seleção das 161 mais apresentáveis das 279 que tirei está no Yahoo! Fotos. No Flickr coloquei só as totalmente ARTÊS.
Definitivamente, Barcelona é a melhor cidade em que já botei os pés. Apesar de ter ficado somente 4 dias inteiros (de 7 de fevereiro a hoje, dia 11), deu para ter uma boa noção da cidade e do essencial do modo de vida dos barcelonenses.
Não há solução quando o maldito sangue latino corre nas veias. O fato de sair de uma Paris com neve e ir para uma Barcelona com praia e vários graus a mais de temperatura faz toda a diferença – sobretudo diferença HUMANA. De uma Paris com franceses bufando no metrô fomos para uma Barcelona com toda a GINGA LATINA em um inverno para lá de moderado.
A cidade – Somando todos os aspectos, Barcelona, como já disse, é a melhor cidade que já conheci. Apesar de estar na beira do Mar Mediterrâneo, o clima – pelo menos no inverno – é bastante seco. A ausência de maresia evita o GRUDE usual, o que faz com que até seja possível esquecer que se está em uma cidade litorânea.
Transporte – Metrôs praticamente impecáveis. Trens modernos para fazer qualquer francês chorar pela velharia ferroviária parisiense e trens limpos para fazer qualquer londrino chorar pela imundície indescritível que são os trens em Londres. A passagem é barata (1,25 euros, contra 1,40 em Paris). Além de novos e limpos, o espaço interno dos trens é grande, e a malha ferrovirária cobre de uma forma bastante abrangente a cidade. Para quem precisa se deslocar para fora da zona 1, em direção à região metropolitana, há inúmeras opções de trens maiores que o metrô, equivalentes aos RERs de Paris. A circulação com bicicletas e motos é altamente incentivada (lugar para estacionar por tudo) e o sistema de ônibus é bastante eficiente.
Povo – Não resisto à tentação de fazer comparações bairristas: os habitantes de Barcelona (1,8 milhões, totalizando 4 milhões na região metropolitana) são os habitantes de Porto Alegre mais ricos e menos chinelos. Obviamente, há todo um clima de LATINIDADE, mas latinidade européia é outro esquema. O impacto do bom humor barcelonês foi total depois de quatro meses e meio morando em Paris. Vários guias de viagem dizem que os barceloneses são “rudes”. Nenhum sentido. Nunca recebi tanto “holla!” de desconhecidos na vida.
Comida – Há buffets livres em Barcelona. Não preciso dizer mais nada. Não, preciso, sim. As famosas tapas (porções de todas as coisas mais absurdamente saborosas do universo, de azeitonas até frango assado) são uma amostra de como os barcenolenses sabem viver. Cerveja (infinitamente barata se comparada ao roubo parisiense) e tapas são a única saída para uma existência digna.
Preços – De modo geral, como era esperado, Barcelona é um pouco mais barata do que Paris. É possível sair para comer fora em Barcelona sem ir à falência instantânea, como na capital do croissant. Como disse, encontra-se facilmente cerveja barata (500 ml por cerca de 2,50 euros). A ironia é que o lugar onde se vende coisas pelo menor preço é justamente francês, o Carrefour. Aí sim o preço despenca.
Arquitetura – Ninguém melhor do que a Fernanda para comentar sobre a arquitetura de Barcelona, o que ela provavelmente fará em breve no seu blog. Portanto, limito-me à observação sem escapatória: planejamento urbano faz toda a diferença em tudo, desde a circulação até o humor das pessoas. Os enormes canteiros centrais das grandes avenidas (ramblas) de Barcelona, com seus bancos públicos e inúmeras mesas de bar, dão uma sensação de convivência que eu nunca tinha visto antes em outro lugar. A cidade é praticamente toda pensada de modo que seja possível algo banal: interação humana.
E, falando em comparações com Porto Alegre, não tem como não amaldicioar (mais ainda) todo e cada prefeito que assumiu a capital gaúcha e continuou fazendo ABSOLUTAMENTE NADA com o espaço que temos à beira do Rio Guaíba.
CuRtura – Uma dos pontos negativos – mas que também pode ser um equívoco devido aos poucos dias na cidade – é a falta de um ambiente cultural mais intenso. Talvez o fato de não ser a capital do país influencie. Poucas livrarias (FNAC não é livraria) e cinemas deixaram a sensação de algo faltando. Enfim, nada que um porto-alegrense já não esteja acostumado.
aquela caminhada pelo porto que acaba na praia é sensacional! ficava horas passeando e viajando por lá. sem dúvidas algo parecido na beira do guaíbão dava pra fazer. daqui uns anos rola. quanto tempo demorou pra começarem as construções do shopping cristal mesmo? :T
Perfeito. Tive exatamente a mesma sensacao de deixar uma Alemanha abaixo de 0°C, com ruas sujas por causa da neve derrentendo, e chegar a uma Barcelona de 20 °C com gente tomando sol na praia. Muito boa a descricao da cidade.
Só no transporte público existe uma opcao ainda mais barata. Tem um ticket que se chama T-10 que te dá direito a dez viagens e custa 6,90 €. Passei 4 dias lá, comprei um desses tickets pra mim e para minha namorada. Como deu pra ver quase todos os pontos a pé, quase nao usamos o transporte público.
O povo foi realmente o mais simpático que encontrei. Na itália quase nao tive contato com nativos, entao nao tenho uma opiniao formada. Na franca foi um desastre. Acho impressionante como uma pessoa que trabalhar no no palacio de versailles nao sabe responder uma pergunta em ingles. Na Alemanha, o povo nunca procurou saber se tu precisa de alguma coisa, mas quando tu perguntava por alguma informacao, sempre foram bastante prestativos.
Um ponto que chamou minha atencao foi o catalao. É uma mistura de tudo o que é língua, um pouco de frances, um pouco de espanhol, um pouco de portugues. Bastante interessante.
Mas é isso. Minha namorada tá estudando arquitetura, também enloqueceu na cidade.
Gosto daquele esquema Ferrugem, só começa a aparecer gente na rua depois das 10, 11 da manhã e a cidade fica lotada até as 3 da madrugada. No Carrefour, comprava os produtos da marca Número 1, que é deles e é ridiculamente barata. Dá pra fazer uma compra generosa com dez euros. E o Catalão. Achei esquisito no início, mas acabei achando jóia. E a prefeitura dá cursos gratuitos pra quem quiser. Grande cidade, mesmo. Viva, pulsante.
Como escrevi no blog do Firpo, Barcelona foi a cidade que mais gostei até hoje. Acertei ao reservar 11 dias para ela nas minhas últimas férias. Um lugar que combina tudo que o pobre precisa pra viver numa boa.
Mas o engraçado é constatar (mais uma vez) que as pessoas nunca estão 100% satisfeitas com as cidades onde vivem. Pô, Walter, tu compra vinhos ótimos, queijos maravilhosos, pães deliciosos, croissants de verdade e mostarda de Dijon em qualquer boteco, mas sonha com a cerveja e com as tapas espanholas?
barcelona está na minha lista de 3 cidades onde eu moraria sem pestanejar (as outras são berlim e amsterdam).
acho que o mundo inteiro deveria ser demolido e reconstruído com projeto do gaudí.
walter, tu por acaso comeu buffet livre no “la vaca paca”?
Sim, La Vaca Paca total:
http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/waltervaldevino/detail?.dir=86f2scd&.dnm=26e4scd.jpg&.src=ph
OIIII
Bah, to querendo ir pra Barcelona pra estudar Arquitetura na UB. Quanto mais pesquiso coisas sobre o assunto, mais vontade tenho de ir, e não foi diferente lendo o seu blog, Walter!