Nesta sexta-feira, 27 de outubro, faz um ano que dois jovens, Zyed Benna e Bouna Traoré, morreram eletrocutados quando tentavam se esconder em um transformador depois de fugir de uma perseguição policial. Isso foi no bairro de Clichy-sous-Bois, em Seine-Saint-Denis, distrito ao norte de Paris. O resultado foram três semanas de quebra-quebra generalizado nos “banlieues” de Paris e de diversas outras cidades da França. Um número impressionante de carros e ônibus foi queimado.
Nos últimos dias ocorreram agressões a policiais em Corbeil, Mureaux e Épinay-sur-Seine. Ontem, queimaram um ônibus e três carros em Grigny. O modo de proceder tem sido semelhante nesses últimos casos: há uma chamada policial e/ou algum veículo é queimado. A polícia e os bombeiros (em caso de incêndio) são chamados e, quando chegam ao local, são atacados por 30, às vezes 50 pessoas, na maioria adolescentes, com pedras e paus. Se fosse no Brasil, já teria morrido muita gente, mas aqui a polícia (incrivelmente) se controla e atira para o alto, o que não impediu, obviamente, que um policial saísse gravemente ferido no rosto de um desses ataques, em Épinay-sur-Seine.
Por enquanto, os últimos casos estão concentrados no distrito de Seine-Saint-Denis, o mais problemático. Desde o início do ano foram mais de 50.000 ocorrências policiais, mas todas de pequena escala se comparadas aos protestos do ano passado. Uma panela de pressão, portanto, prestes a explodir. O medo do governo, agora, é que haja uma intensificação dos conflitos. Vários fatores podem contribuir: 1 ano da morte dos jovens, o fim do ramadã e a situação política que começa a ganhar contornos mais nítidos para a disputa presidencial em 2007. Nicolas Sarkozy, pré-candidato à presidência e atual Ministro do Interior, adotou medidas enérgicas (como o toque de recolher) para pôr fim aos conflitos do ano passado. Nada poderia ser pior para Sarkozy do que o retorno dos conflitos, mostrando que as ações do governo não adiantaram muita coisa.
E a opinião geral é de que pouca coisa foi feita. A única modificação evidente foi o aumento da força policial. Algumas poucas medidas sociais foram adotadas, mas o resultado é obviamente insatisfatório em se tratando de regiões com ausência quase completa do Estado (delegacias, hospitais, escolas) e de transporte. Ao contrário, algumas das medidas, como a criação de “espaços de juventude”, têm sido vistas como paliativas pelos jovens, na quase totalidade descendentes de imigrantes árabes e africanos, sobretudo da última onda de imigração.
A situação é de tensão. Parece não haver uma verdadeira integração entre os jovens dos diversos bairros para combinar as ações. A mídia, portanto, é acusada de ser a responsável pela propagação da violência. Análises do governo mostram que provavelmente haverá conflitos, mas em menor escala do que no ano passado. O problema é o pessoal do subúrbio ficar sabendo disso e tentar contrariar o Sarkô.
* “Fallait p’têtre agir en brûlant l’véhicule à Sarko” (Talvez fosse melhor queimar o carro do Sarkô) – trecho da música Ouais ouais, do rapper Booba.
Paris = Rio
Minha duvida sobre estes casos de violencia (que nao se restringem soh a frança): estes imigrantes sao majoritariamente islamicos? Caso positivo, a situacao seria uma combinacao de problemas economico-sociais mais uso ideologico da feh (como substituto de um marxismo revolucionario)?
Pergunto estas coisas porque escritores e politicos como Ayan Hirsi Ali e Oriana Fallaci previam que seria questao de tempo ateh que imigrantes de origem muculmana comecariam a provocar disturbios como os que vem acontecendo desde o ano passado, e a midia, quando noticia os eventos, via de regra omite a orientacao religiosa dos baderneiros (grupos de jovens). Em outros lugares da Europa, dentre todos os imigrantes, parece que apenas os maometanos participam das badernas.
Ja que estas por ai, um relato em primeira mao sobre essa realidade seria genial. =o]~
rsrsrs