A TV5 deu destaque, no noticiário de ontem, às eleições presidenciais do Brasil. A matéria foi dividida em duas partes. Na primeira, GeraldÔ Alckmiiin aparece ao lado de FHC (praticamente um francês) no comício de encerramento da campanha. A emissora diz que Alckmin se apresentou como o defensor da ética. Só isso, nenhuma referência ao banditismo petista que levou Alckmin a adotar seu bom-mocismo fracassado. Quando mostram o último comício de Lula, dizem que Lula “permaneceu fiel ao seu eleitorado de base, apresentando-se como o defensor dos pobres”.
A pobreza exotique dá o tom da segunda parte da matéria, mostrando bastante gente ferrada e o Bolsa-Família como um programa de grande sucesso para reduzir a pobreza. A matéria é feita em Sepetiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro, onde 1500 casas populares foram construídas (supõe-se que pelo Governo Federal) para tirar as pessoas dos barracos.
Um casal pobre é apresentado, um pedreiro e sua esposa desempregada. Eles recebem R$ 75 (“um pouco mais de 30 euros”) do Bolsa Família. Rita Campos votará em Lula certamente: “Com a Bolsa-Família, a gente tem melhores condições de alimentação, tem leite para o meu filho, minha filha vai à escola, dá para comprar uma roupinha. Ajudou muito a nossa família.”
Segundo a TV5, 11 milhões de lares são beneficiados pelo programa, totalizando 50 milhões de pessoas, “todas vivendo oficialmente na pobreza”. Supondo que eles não quiseram dizer que o Bolsa Família atende a TODOS os pobres do Brasil, a conclusão só pode ser a de que – no mínimo, com otimismo – o Brasil tem uns 60 milhões de pobres. Cada um chuta um número. Já vi variações de 20 a 70 milhões.
Quem continua explicando a popularidade de Lula entre os mais pobres é Vera Conceição, representante da comunidade de Sepetiba. A vantagem do programa é que as crianças são obrigadas a ir à escola, diz ela, onde fazem três refeições por dia. Em casa, não teriam o que comer: “o Bolsa Família foi uma coisa ótima na vida do brasileiro.”
Os franceses até tentam levantar os aspectos negativos do programa (não incentiva as pessoas a procurarem emprego e mantém grande parte da população na economia informal), mas concluem dizendo que “a integração gerada pela Bolsa Família é importante” (imagem de crianças jogando bola na rua) e que “a pobreza no Brasil atingiu seu nível mais baixo em 25 anos”.
Vendo essa matéria dá para entender porque os franceses mais ou menos a par da situação do Brasil com quem tenho conversado só sabem dizer que “sim, houve segundo turno e, sim, Lula ajuda os pobres”. Sobre as maracutaias do governo Lula, nada.
Certamente a mídia francesa foi COMPRADA. Ninguém mais escreve o que quer. Pelo menos, se seguirmos a lógica daqui, isso é golpismo.
Inutile d’acheter les médias français. Incompétence et paresse suffisent à jeter en pâture aux téléspectateurs français le minimum syndical requis.
Quant aux entourloupes du PT, ne soyons pas exagérément naïfs ! Si l’épisode du “dossier” est lamentable, qu’il ne soit pas l’arbre qui cache la forêt ! Car, par un formidable tour de passe-passe, plus personne ne parle du contenu de ce fameux dossier, à savoir le scandale des sangsues, fontaine sanglante à laquelle se sont abreuvés la quasi totalité des partis en présence.