Chichi não disiste nunca

O fato político desta terça-feira foi a longa entrevista que o presidente Jacques Chirac deu ao jornal Le Figaro. Parece que é um fato meio inédito ele dar entrevistas desse tamanho para jornais.

O que se nota de cara é a capacidade mundial de qualquer político em enrolar, enrolar e não dizer nada. Quase dois terços da entrevista são de não-respostas e evasivas. O discurso político, em qualquer lugar que se vá, cada vez mais segue a receita do “precisamos agir”, “eficácia”, “eficiência”, “obsessão com a criação de empregos”, blablablá.

O terço restante que se aproveita diz respeito aos comentários sobre a divulgação da taxa de desemprego na França. O desemprego caiu 10% em um ano, atingindo um total de 8,8% de desempregados no mês de setembro. É a taxa mais baixa desde 2001. Obviamente Chirac aproveitou para faturar em cima do fato, prometendo baixar a taxa para menos de 8% até o final de seu mandato, em maio de 2007. Quando perguntado se apresentaria seu nome para ser novamente candidato à Presidência, partiu para o embromation:

Minha responsabilidade como presidente da República é dar prioridade à ação. A França não pode se permitir perder seis meses a cada cinco anos. Me pronunciarei quando chegar o momento, ou seja, no primeiro trimestre de 2007.

Muda o país, muda a língua, muda tudo, mas a essência da política continua a mesma. A diferença em relação ao Brasil é que na França ainda é possível discutir algumas questões fundamentais para o país. No Brasil, a pasmaceira impede qualquer debate relevante.

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