PSG x Tel Aviv = 1 defunto + 1 ferido

1 morto e 1 ferido foi o resultado do jogo de futebol entre o Paris Saint Germain (PSG) e o Tel Aviv. Apesar das brigas freqüentes entre torcidas, é mais ou menos raro haver morte na França devido ao futebol (ou a qualquer outra coisa, comparando com o Brasil).

O jornalista do L’Express Philippe Broussard, redator chefe de Sociedade e especialista em hooligans, estava no jogo e escreveu um ótimo relato do que aconteceu.

O jogo já tinha acabado há vinte minutos. O PSG perdeu e a torcida, conhecida por ser simpática ao querido Le Pen, estava querendo confusão. Obviamente, a idéia era acabar com alguns judeos torcedores do Tel Aviv. A primeira coisa que o jornalista nota é a ausência de um efetivo decente de policiais.

A segunda é uma multidão indo em direção a um negro, alto e forte, segurando uma bomba de gás lacrimogêneo e que aparentemente ajudava um torcedor do Tel Aviv, mandando o torcedor se proteger atrás dele. Um negro ajudando um judeu, veja só que absurdo, pensaram os afáveis torcedores do PSG. “Vamos lá acabar com essa raça.” O negro joga o gás lacrimogêneo contra a turba, mas não adianta; só lhe resta correr em direção a um Mcdonald’s, o refúgio mais próximo. A turba vai atrás. Antes de chegar ao restaurante, o negro dispara um tiro. Correria de nazistas para todos os lados. Já dentro do restaurante, o jornalista vê o negro, com uma arma na mão, falando em um “talkie-walkie” (como os franceses dizem). Trata-se de um policial, coisa que os nazis não tinham percebido ainda. Eles voltam a cercar o restaurante e gritam suas palavras de ordem: “Negro sujo!”, “Azul, branco e vermelho, a França aos franceses!”.

A situação é de impasse, com o policial mirando na turba que, com tudo que encontra pela frente, quebra os vidros do restaurante, sem muita coragem para invadir o local com medo de levar mais tiro. A polícia leva 10 minutos para chegar ao local, uma eternidade devido à tensão toda, segundo o jornalista. Os bombeiros também demoram a chegar para socorrer o nazista que já tinha indo pro inferno, e seu amigo, que levou um tiro no peito. Com uma lerdeza estatal, a situação é controlada.

A investigação, por se tratar de um policial, será conduzida pela “polícia da polícia”, a Inspection générale des services, e provavelmente não vai acontecer nada com o policial, que foi até bem ponderado atirando só uma vez (ou duas, o que será determinado pela investigação). O torcedor morto, Julien Quemener, era membro da torcida do PSG chamada Boulogne Boys, conhecida por suas posições de extrema direita.

É um absurdo, não é mesmo? Afinal, futebol é um esporte de família, uma confraternização. Não dá para entender como a violência toma conta de um esporte tão belo e pacífico.

2 Responses to “PSG x Tel Aviv = 1 defunto + 1 ferido”

  1. helena says:

    E eu que achava que o racismo era um “privilégio” do sul da França (diga-se Provence), onde fui barrada em diversos bares com alguns amigos negros. Lá o Le Pen é o ídolo dos petits bourgeois. Falando nisso, tem um filme que se passa em Marseille e fala do assunto: “La ville est tranquille”.

  2. träsel says:

    pois é, walter, tu com toda essa lata de nordestino ainda não foi DESTRATADO?

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